30/10/07

no front

Jornalismo: pior carreira
Essa é da Forbes. Em enquete com especialistas em profissões, a revista elegeu o jornalismo como uma das piores carreiras do século XXI. Segundo o veículo, a internet vai engolir cada vez mais os postos de trabalho dos sofridos jornalistas, já que a tendência mundial é o Jornalismo 3.0. Ou seja: conteúdo gerado pelos próprios leitores, a exemplo do que acontece, ainda na idade da pedra, com o Youtube e os blogs (por incrível que pareça, vem mais coisa por aí). Para a próxima década, a Forbes projeta o crescimento de apenas 5% nos cargos desse mercado. Ou seja, a já sofrida área vai sofrer ainda mais. Se você está pensando em ingressar nessa carreira, pense duas vezes. Pro seu bem. E pro meu.

Lembranças
Esse papo de pior carreira do mundo me lembrou do trote que minha turma levou dos veteranos, quando entrei na UFRN em 1997 (que cheiro estranho de mofo!). A turma do amigo Márcio Rodrigo, agora em Londres, nos saudou com um texto engraçadíssimo, que desfazia o glamour da profissão e desdenhava de nossos sonhos de calouro. Uma das frases que ficou marcada foi: o glamour vai acabar no primeiro cadáver em decomposição que você for cobrir. Trote do bem, foi um tremendo “bem-vindo a realidade” a jovens como eu, à época totalmente deslumbrado com o fato de ser jornalista.

Polêmicas inócuas
Já que o assunto é jornalismo, vamos fazer uma autocrítica. A moda agora é polêmica entre um representante intelectual e outro nem tanto. Depois de Luciano Huck vs Ferréz na Folha, é a vez de Zezé Di Camargo vs Diogo Salles no Jornal da Tarde. Explico: Diogo Salles, cartunista, publicou artigo no qual, em resumo, dizia-se um roqueiro convicto que achava o sertanejo uma merda (leia aqui). Zezé Di Camargo se doeu e pediu direito de resposta: publicou artigo no mesmo veículo, no qual exaltava a importância cultural do fenômeno sertanejo (não leia aqui). Eu, como um clichê autêntico de intelectual descolado, detesto sertanejo. E sou totalmente parcial nessa pendenga: cala a boca, Zezé, não precisamos ouvir mais merdas de sua autoria. O caso, entretanto, é a sede dos veículos por polêmicas. Parece que a era do barraco está chegando ao jornalismo impresso. E isso é vergonhoso.

Pra desopilar
A operadora de celular americana Sprint desenvolveu uma campanha viral muito interessante. Com o conceito “Fast-forward through the boring parts of life” (algo do tipo “Passe reto das chatices da vida”), colocou no ar o site Waitless. Lá, vídeos bem-humorados explicam como não perder tempo com as coisas chatas do dia-a-dia. Por exemplo, como fazer um sorvete em cinco minutos, ou como descascar batatas em 10 segundos. O vídeo mais impressionante ensina como fazer um bebê parar de chorar em 3 segundos. Dentre outras coisas, o site também disponibiliza um contador de tempo perdido: você coloca os dados de determinada ação (por exemplo, o tempo que você gasta pra ir ao trabalho) e ele diz quanto tempo de sua vida você está perdendo com aquilo. Genial!

Sobre a Feira do Livro de Mossoró
Recebi e-mails e scraps diversos de pessoas que conheci em Mossoró nesse último fim de semana. Alguns me cobraram um texto mais longo sobre o evento, com minhas impressões particulares da feira. Ando meio sem tempo de parar e escrever, por isso a ausência de uma crônica mais elaborada. Mas se isto pode amenizar alguma necessidade: o evento foi fantástico e espero muito estar lá ano que vem.

Pra não dizer que não falei do Galera
Seria uma injustiça, entretanto, não comentar o bate-papo com Daniel Galera. Mais ainda, não comentar a presença de Daniel Galera (parece nome de minissérie, né?). Pois bem, a gente tem quase a mesma idade (eu, 15; ele, 16) e talvez por isso a interação tenha sido excelente. Com a mediação de Carlos Fialho, falamos sobre romance de geração, processo criativo e influências da cultura pop. Simpático e generoso, Galera falou sem afetações da indicação de Bravo! ao seu romance “Mãos de Cavalo”, apontado como o possível grande representante da sua geração. Segundo ele, é um grande elogio, mas nunca se esquece de que quem escolhe mesmo esse tipo de coisa são os leitores. Pronto pro Galera. Lição aprendida.

Eu, Fialho e Galera: o bate-papo começou
com um assunto interessante: macarrão

Qual é o seu nome?
Ainda na Feira do Livro de Mossoró, num papo muito legal com Rilder Medeiros, coordenador-geral do evento, ele me falou do texto Qual é o seu nome?, publicado há alguns meses em sua coluna na Diginet. O post tem quase 2.000 comentários e praticamente todos os dias chegam novos. Isso é realmente um fenômeno, considerando-se que a data de publicação foi janeiro de 2006. Como sei que você não vai resistir de curiosidade, depois de ler volte aqui pra dizer se há algum outro motivo, além da qualidade literária, pra esse texto mexer tanto com as pessoas. Eu tenho minha teoria. Mas quero ouvir a sua.

Pra terminar
Segue uma foto de Preta Qui (brinde dado aos autores da FLM e que batizei assim em homenagem a Negra Li). Reparem no charme do sorriso bicolor e no livro servindo de chapéu.


Frase do dia
“Te acordei de novo, boy?”
Carlos Fialho, escritor, me ligando hoje às 8h30 da madrugada

6 comentários:

Luana Pereira Cavalcante disse...

8h30 da madrugada, achei legal!

Bia Madruga disse...

o melhor é "preta qui"
sahgsaghsakghsak


e, bicho, ainda bem que desisti do jornalismo à tempo! hehe
:*

Patrício Jr. disse...

- luana: bem-vinda ao PLOG!
- bia: desistiu? estava animado com sua chegada ao inferno!
- larissa: num tá com problema pra comentar não, viu?

Patrício Jr. disse...

eu consigo comentar, larissa, jah disse!

Tamara disse...

acho q o google deu um link p o texto do Rilder e o povo pensa q ele vai explicar a origem do nome. é isso?
hehe, de qualquer forma, o texto é bem legal.

Patrício Jr. disse...

tamara, é uma explicação possível. eu estava pensando em "extrema necessidade de conseguir um validador da própria identidade mediante um mundo marcado pela standartização das pessoas". mas sua resposta parece mais plausível