26/12/2007

plog entrevista

Mês de despedidas em Natal. Além da Limbo Livros Selecionados, outro importante reduto aos amantes da boa cultura está fechando. A Velvet Café & Música cerra suas portas ainda esse mês, deixando órfãos alguns poucos que não se incomodam com os forrós da vida, mas gostariam de ir um pouco além. Após publicar o texto Então é Natal em minha coluna na Digi, no qual falei sobre essas duas perdas, recebi diversas manifestações sobre o assunto. Dentre elas, do próprio Marcelo Morais, dono da Velvet. Em entrevista por e-mail, ele falou um pouco mais sobre o fim da sua loja. E sinaliza: pode ser um recomeço.

PLOG: Após tantos anos à frente da Velvet, imagino que não foi uma decisão fácil encerrar as atividades. Como foi esse processo?

Marcelo
: Não foi nem um pouco fácil, porque eu ficava pensando e martelando idéias na minha cabeça para ver se existiria algo que pudesse incorporar àquele espaço para que ele se revitalizasse (aliás, foi por isso que criei o café): fiz sessões de filmes, o Automatics tocou por lá, fiz lançamento de zine, do documentário da Solaris. Alguns com uma boa presença, outros, um fiasco, mas de uma forma geral, bem aquém de minhas expectativas. Se de repente insistisse mais um ano, quem sabe?, mas isso iria ser um sacrifício que eu não estou mais disposto a fazer, o desestímulo me fez decidir, perdi o prazer no que fazia.

PLOG: Apesar de fechar a loja, você vai continuar vendendo CDs pela internet. Fale um pouco sobre esse nicho de mercado.
Marcelo: A cultura do MP3 afetou bastante a venda de CDs no espaço físico, e acredito que muitos que ainda compram CDs, compram pela net. Em 2006 resolvi fazer uma experiência para ver como é que era a receptividade, e foi muito, mas muito além do que eu imaginava. Acredito que o mercado de CDs, de 2 ou 3 anos para cá, se restringe a colecionadores, assim como o velho vinil. Então encontrei esses colecionadores na internet, gente de todo país que ainda adora o CD, em especial do sul do Brasil. Eu deveria me mudar para lá e reabrir a Velvet em Porto Alegre. Vendo muito para o Rio Grande do Sul. Descobri que muitos CDs que tenho expostos por aqui e passam batidos, são bem procurados Brasil afora. Vou investir nisso.

PLOG: Câmara Cascudo disse que “Natal não consagra nem desconsagra ninguém”. O que vemos na prática é que a cidade tem tradição em desvalorizar projetos ligados à cultura. Você acha que essa tradição influenciou em seu negócio?
Marcelo: Concordo com a frase, é uma cidade apática. Vinícius de Moraes certa vez disse que São Paulo era o túmulo do Samba. Para mim, Natal é o túmulo da cultura, embora exista muita gente que batalhe para reverter isso. Mas é uma questão cultural. Aqui, bom é o que vem de fora para dentro, e não o de dentro para fora. O MADA, por exemplo, é um puta festival, com virtudes e falhas, mas não falta gente que fale mal dele, e é um privilégio ter um evento assim na cidade, assim como o Festival do DoSol. Sempre se apontam mais a falhas do que as virtudes, é impressionante e absurdo. Entre outras coisas, vi gente reclamando do preço do ingresso! É brincadeira, né? Acho que essa tradição afetou meu negócio porque como é uma cidade que não tem o hábito de consumir cultura, muito menos cultura pop, então o mercado se torna muito pequeno e restrito.

PLOG: A Velvet é bem localizada e tem um público fiel, o que torna o negócio potencialmente lucrativo. Alguém te procurou querendo assumir o ponto?
Marcelo: De fato a Velvet é bem localizada (porém sem estacionamento na frente, proibido recentemente pela STTU) e tem um público fiel, mas aí é que está, não é mais um negócio potencialmente lucrativo. Já foi, antes do mp3, hoje não é mais. Algumas pessoas me procuraram, e pensam em revitalizar o espaço (que não seria mais a Velvet), com livros, café e CDs. Acredito que com outras coisas mais.

PLOG: Há algo a dizer aos órfãos da Velvet?
Marcelo: Quero agradecer imensamente a eles, que compartilharam comigo e fizeram daquele espaço um lugar especial, com muita gente boa, super-educada e acima da média mesmo. Realmente me orgulho muito de todos que freqüentaram a Velvet. Quero dizer ainda que a Velvet continuará na ativa, só que online, inclusive mantendo e reforçando o seu newsletter semanal.

21/12/2007

nos cinemas

30 DIAS DE NOITE

Você anda sentindo falta de um filme de terror de verdade diante dessa enxurrada de adolescentes jorrando ketchup, mortes bizarras que provocam gargalhadas e espíritos em atuações sofríveis? Muito bem, você precisa ver “30 dias de noite”, em cartaz nos cinemas de Natal.

O filme é uma adaptação da grafic novel homônima, dirigido por Dave Slade (de “Menina má.com”) e roteirizado, dentre outros, pelo próprio autor do gibi, Steve Niles. Fora isso, contou com a produção executiva de Sam Raimi (diretor da trilogia “Homem-aranha”). Esses requisitos já seriam suficientes para você ir pro cinema esperando algo bom. Mas acredite: é muito melhor do que você imagina.

A trama é simples e genial. No inverno, uma cidade do Alaska passa um mês de total escuridão todos os anos. Dessa vez, entretanto, será invadida por vampiros. Os sanguessugas preparam o ataque para o primeiro dia sem sol. E pretendem devorar (sim, este é o termo, pois estão famintos) todos os 152 habitantes que não deixaram a cidade. Josh Hartnett, em excelente e convincente atuação, é o xerife de Barrow. E vai enfrentar as criaturas da noite sem fazer idéia do que sejam.

Este é, aliás, um ponto alto da trama. Os moradores da cidade não sabem o que está atacando. Assim, nada de água benta, crucifixos ou cordões de alho. Ao invés disso, eles se escondem como podem. E a sensação de impotência e claustrofobia cresce a cada ataque. Outro ponto alto é que os vampiros do filme não têm nada do glamour de “Entrevista com o vampiro”. São, na verdade, bestiais. Famintos, animalescos, irracionais, só querem saber mesmo de matar sua fome (e, por conseguinte, todos os seres vivos da pequena cidade de Barrow).

Assustador, “30 dias de noite” não é um filme para estômagos fracos. Com cenas fortes, muito fortes, fortíssimas, a direção de Slade dá dor no pescoço, vertigens e muitas reviravoltas nas tripas. Mas é uma aula de como fazer terror nesses dias em que a violência já virou lugar-comum.

“30 dias de noite
Título original: “30 Days of Night”
Gênero: Terror / Suspense
País: Nova Zelândia/EUA, 2007 - 113 min
Direção: David Slade
Roteiro: Steve Niles, Stuart Beattie e Brian Nelson
Elenco: Josh Hartnett, Melissa George, Danny Huston, Ben Foster, Mark Boone Junior, Mark Rendall.

19/12/2007

maya para os jovens escribas

E foi assim: auditório lotado, banca reunida, grupo pronto pra apresentar. Esses foram os momentos que antecederam o Trabalho de Conclusão de Curso da agência experimental Maya, que tinha como cliente o Jovens Escribas.

Esses caras são mesmo pirados. Pelas regras da UnP, eles teriam que apresentar uma campanha completa, com pesquisa, mídia e algumas peças obrigatórias. Mas eles foram além e apresentaram 9 campanhas. Isso mesmo, mais de 100 peças publicitárias pro Jovens Escribas. Sabe por que? Bom, a pesquisa de opinião, feita num universo de quase 300 pessoas, revelou que a marca da editora importa muito pouco para a decisão de compra de um livro. O que pesa mesmo é o conteúdo. Ou seja, para ser vendedora, a campanha teria que apresentar um a um cada livro que nós do Jovens Escribas já lançamos.

Foi uma danação só peças. Cada uma melhor que a outra. Os caras me encheram de orgulho mesmo. Lógico que a marca Jovens Escribas também teve uma campanha. Institucional, com teaser e grandes idéias. O VT dessa campanha, no qual atuei, está aqui embaixo.




Para os livros, as campanhas eram focadas em seus conteúdos. Com muitas ações de guerrilha e marketing viral, tivemos carrinho de sorvete pra vender "Verão Veraneio" de Carlos Fialho nas praias, frascos de comprimido pra serem deixados em locais públicos vendendo “Lítio”, o meu romance, um panfleto de uma festival de música fictício (“Imagine All The People Festival”) para vender “É tudo mentira”, também de Carlos Fialho, e por aí vai.

A campanha de cada livro tinha um vídeo viral, baseado em seu conteúdo, para se espalhar pelo Youtube. Advertainment puro! Como não dava pra produzir todos, a agência escolheu o vídeo criado para “Contos Bregas” de Thiago de Góes. Escolheram certo. Foi a peça mais aclamada da apresentação e você pode dar umas boas gargalhadas assistindo logo embaixo. Imperdível!



Parabéns a todos da agência Maya. Foi um prazer e um grande orgulho ajudar vocês a fazer esse trabalho magnífico.E atção a todos do mercado publicitário: olho nesses caras. Não é todo dia que a gente encontra jovens tão talentosos e dedicados.

17/12/2007

doce vida

A minha infância toda passando nas capas daqueles discos. Fazia tanto tempo. Juro que pensei ser um sonho ou uma memória tão forte que vem com exatos cheiros, cores e gostos. Mas não. Era a realidade. Eles estavam todos ali. Abelhudos, Trem da Alegria, Balão Mágico, Topo Giggio e a indefectível discografia da Xuxa. Todo mundo tinha disco da Xuxa.

Simony era a estrela maior do Balão Mágico e fazia com Jairzinho duetos românticos. Ninguém poderia imaginar que ela viraria ex-mulher de ex-presidiário. Já o filho de Jair Rodrigues era uma criança feia de doer, que despertava a simpatia mais pela pena do que pela identificação. Os dois formavam uma espécie de casalzinho romântico infantil. Naquela época, eu não sabia o que era pedofilia.

No rastro desse sucesso, vinha o Trem da Alegria com o inesquecível Juninho Bill. Era tempo de cantar “O gato de botas” e dizer “Juninho Bill pra presidente do Brasil”. Que fim levou ele, hein? Fui atrás no Google: agora é vocalista de uma banda de rock obscura e tenta não ser mais o Juninho Bill. Apesar do público, nos shows, sempre pedir pra ele tocar “Piuí, piuí, piuí, abacaxi”.

Mas ninguém fazia um sucesso tão aterrador quanto Xuxa. Autodenominada “a rainha dos baixinhos”, a loira ditou tendências e influenciou, para o bem ou para o mal, toda uma geração. Mês passado, ela veio à Natal gravar seu novo programa. O que eu vi de marmanjo dizendo que queria conhecê-la foi assustador. Com uma ponta de emoção contida, como estivessem mais próximos que nunca de realizar um sonho de infância, falavam: queria ver a Xuxa. Eu também queria, devo confessar. Mulher inacessível, ícone de uma época, La Meneghel soube fazer de si mesma uma interessante personagem. Amigos que estavam na produção do programa me disseram que ela é exatamente como na TV: quer dizer, ou Xuxa finge o tempo inteiro que é retardada, ou efetivamente é.

Enquanto revejo a capa de seu primeiro disco, com o peitinho da rainha vazando na blusa transparente, meus amigos brincam dizendo de cor o endereço do Xou da Xuxa. Rua Saturnino de Brito, 74, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Este é o endereço mais famoso dos oitenta. Tenho certeza que há excursões para lá, diversos trintões guiados por uma ex-paquita que agora ganha a vida nos escombros de um sucesso avassalador.

Por falar nas Paquitas, elas também estavam lá. Presentes num LP que tinha quatro loiras na capa e três na contracapa. A decisão foi tomada com base na beleza: as bonitas na frente, as feias atrás. Um péssimo exemplo. Talvez por atitudes assim, minha geração seja ultrafocada na própria aparência. Talvez. Não quero colocar a culpa em ninguém além de nós mesmos. Afinal, nós fizemos esses ídolos. Nós escolhemos gostar do fútil “bom dia, amiguinhos, já estou aqui”. Meus amigos falam da nave espacial, dos pompons do auditório, das pernas das Paquitas. A riqueza de detalhes é tão grande que fico aguardando o Moderninho surgir de trás do sofá para anunciar o baixinho sorteado.

Vou recolocando os discos de volta à estante. Um a um. Minha infância contada em faixas de vinil, lembranças compostas por Michael Sullivan e Paulo Massadas. Quem sabe eu fosse uma pessoa melhor se tivesse ouvido só ópera. Ao invés disso, sou produto de uma época que é exatamente como as balas que amava na infância: colorida e saborosa, mas vazia e desnecessária. Como diria Xuxa: a vida é um doce.

14/12/2007

tcc, cpmf, pipl & outras coisas

Dias e dias de ausência, mas minha vida vai voltando ao normal. Fim de ano é assim mesmo. Muito trabalho, pouco prazer, tudo pra fazer um extra e comprar roupa nova. He he he. Então, estou voltando aos poucos. Lá vão umas rapidinhas.

Programe-se
Você sabe o que é TCC? É o famoso Trabalho de Conclusão de Curso que a galera de Publicidade da UnP faz todos os anos. Eles montam uma agência experimental, escolhem um cliente, fazem pesquisa, briefing, mídia, campanha e apresentam tudo numa grande noite. Bem, essa introdução é pra dizer que a agência experimental Maya apresenta seu TCC hoje, às 21h, no auditório da CDL/Natal. E que o cliente é o Jovens Escribas. Quem viu o estande que eles prepararam pro JE na Exprom sabe que vem coisa boa por aí. Então, façam volume na CDL. Eu não perco por nada.

Making of do VT da Maya pro Jovens Escribas. Luís Moraes coordenando as fotos pro stop-motion e eu lá na tela, tá vendo?

Mais uma do making of: Bertoni fazendo marcação de cena

Programe-se de novo
Depois do primeiro CD, “Festival do Desconcerto”, a banda SeuZé inova no segundo álbum, “A Comédia Humana”. O que seria um material suficiente para integrar um novo disco com cerca de 12 faixas, foi dividido para ser lançado em 4 compactos multimídia, cada um contendo 3 músicas mais conteúdo de fotos, letras e cifras, aparições da banda na imprensa, além de um videoclipe. O lançamento é manhã.


No torrent
Acabo de assistir aos dois primeiros episódios da série Californication, a nova de Cris Duchovny (aquele que vivia às voltas com mistérios e abduções na extinta Arquivos X). Eu era fã das aventuras de Fox Mulder e Dana Scully, mas isso não me torna suspeito pra dizer que Californication é uma das melhores coisas que vi nesses últimos anos. O enredo é o seguinte: Hank é um escritor em crise criativa que acabou de se separar e que mata o tempo fazendo… sexo! É um tal de comer toda mulher que aparece pela frente que vou te contar!

Cris Duchovny no modelito Hank: perdeu as calças ao fugir da casa de uma mulher casada

O melhor é o humor. No episódio dois, por exemplo, transando no quarto da ex-mulher (!) com uma amiga dela (!!), Hank é flagrado logo após vomitar pelo cômodo (!!!)… Parece non-sense, mas pra quem viu o episódio inteiro faz todo o sentido. Digamos que se trata de uma “Sex and the city” para homens. Classe AAA!

Errata: o nome do ator é David Duchovny, como alertou Thiago de Góes nos comentário e Luanda Holanda por e-mail, e não Cris Duchovny, como escrevi aqui nas pressas. Foi mal, galera, viajei. Mas a série é boa mesmo assim.


CPMF
Pra quem quer ter uma visão bastante embasada – e perturbadora – sobre o imbróglio da CPMF e as repercussões de seu fim, recomendo o artigo A Batalha e a Guerra da CPMF de Flávio Aguiar, publicado esta semana no site Carta Maior. Num dos trechos mais contundentes, Aguiar explica que "72% da CPMF é paga por pessoas jurídicas, sobretudo as grandes empresas. 28% pelas pessoas físicas. Dentro dos 28%, 22% são da classe média. Ou seja, as grandes empresas, representadas nominalmente ou pela ação política da FIESP, não querem que 35 bilhões de reais de sua contribuição corram o risco de ir para investimentos sociais". Tá entendendo melhor o que aconteceu esta semana no Senado? Pois é, também me assustei.

E por falar nisso
E Garibaldi como presidente do Senado, hein? Prefiro não comentar… Mas se você quer um comentário sobre isso, lá vai outro link: Presidência do Senado, texto publicado esta semana no Blog do Rosk. Disse tudo o que eu penso. E mais um pouquinho.

O terror dos coments
Cecilia Giannetti, colunista da Folha, vem sentindo na pele a sanha assassina dos leitores. Seu artigo "Arrastão classe média", publicado na Ilustrada em 11 de dezembro, despertou a ira dos leitores. O problema? Bom, o artigo fala com um pouco de sarcasmo sobre como a classe média invade os shoppings na época de Natal, tornando qualquer passeio insuportável. Li o texto e não vi nada de mais. Mas segundo a própria Giannetti, em e-mail encaminhado ao grupo de discussões do JE, "os editores me pareceram preocupados com as mensagens e eu, naturalmente, preocupada com meu emprego". É, o leitor agora tem voz.

A voz do leitor
No blog Telescopica, vemos uma mostra do poder do leitor com as novas ferramentas da web. No texto Hecatombe já, Jean Boechat mostra como um cara denunciado de espancamento numa matéria do Fantástico teve sua vida completamente exposta na internet. Descobriram o profile dele no Orkut e daí pra saberem a vida toda, do estado civil à situação no SPC, foi um pulo. Segundo Boechat, "terrorismos e vandalismos on-line rolando pra cima do sujeito". Nesse caso, parece que o cara merecia. Mas até quando para acontecer com alguém que não merece?

Até quando?
A resposta pra pergunta lá de cima é simples: Pipl. A palavrinha que tem som de "people" (do inglês: pessoas) é um justamente um rastreador de pessoas na internet. Explico melhor: é um Google de seus registros na web. Explico melhor ainda: se você se cadastrar num site, deixar um comentário, mandar um e-mail pra uma lista pública, criar um profile num site de relacionamentos, enfim, tudo que fizer na web o Pipl rastreia. A diferença do Google está nas informações mostradas. Segundo matéria do G1, "ao escrever 'David Pogue' nas duas caixas de buscas, o Google dá prioridade à página oficial do colunista do New York Times, enquanto o Pipl exibe um site com todos os endereços de pessoas com esse mesmo nome nos Estados Unidos". É a privacidade chegando ao seu fim.

Frase do dia
"Farsante, mentiroso e sem-vergonha."
Do presidente Hugo Chávez da Venezuela para o presidente Álvaro Uribe da Colômbia