19/12/2008

no torrent: true blood

Depois da superprodução Roma e seu desfile de tipos sem caráter (que, infelizmente, durou apenas duas deliciosas temporadas), o que fazer para chamar a atenção do público e continuar se diferenciando das outras emissoras que produzem séries? A HBO tiraentão da cartola True Blood, uma série de vampiros - do mesmo criador de Six Feet Under -  que é, no mínimo, polêmica.

A ação se desenvolve num mundo em que os vampiros saíram do caixão. É exatamente esta a expressão usada na série. Isso significa que os vampiros do mundo inteiro resolveram contar que realmente existem, após milênios agindo em segredo. A revelação foi motivada pela criação japonesa do tru blood, um sangue artificial que pode alimentar os vampiros sem que eles precisem sair mordendo pescoços por aí.

Mas existem dois grandes problemas: 1) nem todos os seres humanos reagem bem ao fato de terem que dividir suas existências com cadáveres que andam e falam; 2) nem todos os vampiros se adaptam à nova dieta de sangue artificial, preferindo continuar com o que sempre fizeram: matar seres humanos.

Entram em cena Sookie e Bill, o casal de protagonistas. Ela é uma garçonete de um bar do interior que estranhamente ouve pensamentos. Ele é um vampiro bonitão e misterioso que deseja apenas uma coisa: voltar a se integrar com os seres humanos. Com essa paixão como pano de fundo (e tome cenas escancaradas de sexo), os roteiristas desenvolvem tramas paralelas pra lá de interessantes. A principal da primeira temporada é uma série de assassinatos de mulheres da cidadezinha onde se passa a história, que tem como principal suspeito, claro, um vampiro. Nessa trama, o preconceito contra vampiros e a tensão que envolve sua relação com os seres humanos é mostrada com bastante criatividade.

Mas não é só isso. True Blood ainda guarda sacadas interessantes como o V Juice, nada mais nada menos que o sangue de vampiro que virou droga da moda. Quem toma tem alucinações lisérgicas e adquire grande vigor físico (tudo que a garotada do interior mais deseja). Logo nos primeiros episódios, porém, a gente acompanha chocado o que pode acontecer caso alguém tome uma overdose de V: Jason, irmão mais velho de Sookie, acaba tendo que se submeter a uma sucção peniana para aplacar uma ereção de mais de 48h…

Pelos blogs você encontra as mais diversas opiniões sobre a nova série da HBO, que tem previsão de estréia no Brasil só pra fevereiro do ano que vem. A maioria, entretanto, diz que a série é bizarra, porém divertida. Bem, eu não acho bizarro. No fim das contas, acredito que os roteiristas desenvolvem muito bem as tramas e conseguem a façanha de tornar um enredo tão absurdo em algo quase plausível. Quase.

Porque além de vampiros, garçonete que ouve pensamentos, sangue que deixa todo mundo doidão, ainda tem exorcista que mora no meio do mato, homem que corre nu pela floresta ao amanhecer, traficante que transa com vampiro só pra conseguir sangue pra vender, vampiros que transam como animais enfurecidos, a suspeita de que lobisomens e outros seres do tipo existem, além de muito, muito, muito sexo.

Apesar da HBO já ter garantido uma segunda temporada, True Blood não é do tipo de série que vira queridinha da audiência da noite pra dia, como Grey’s Anatomy ou 90210. Mas vale a pena ser assistida. Os personagens são bem construídos e cativantes, as tramas são inteligentes, os textos são bem escritos e na pior das hipóteses você vai aprender umas boas posições novas. Com direito a mordida no pescoço, claro.

17/12/2008

o melhor vídeo ruim do mundo

Vídeos de apresentação de empresas sempre ficam no limiar entre o ridículo e o genial. O fato é que nunca passam despercebidos. De tempos em tempos, entretanto, alguém vai longe demais. No caso, foi a agência de propaganda Job, de Ribeirão Preto/SP.

Numa junção de trilha terrível, imagens horrorosas e clichês por cima de clichês, a agência produziu um clássico da propaganda ruim. E por ter sido sem querer, fica ainda mais gostoso de ver. O pessoal da agência atua transmitindo uma certeza plena de que estão acreditando na idéia. E que idéia.

Destaque para a metáfora do ovo de pata, no final do vídeo. Desde já, uma das melhores piores metáforas do mundo. Dê play logo abaixo e delicie-se.


A dica foi do bróder Fábio Nunes.

15/12/2008

sapato nele

O jornalista iraquiano que atirou um sapato em Bush virou meu ídolo. Confira o vídeo:



Só um comentário a fazer: hahahahahahahahahahahahaha.

12/12/2008

liberte um livro


Excelente a iniciativa do blog EntreRios, do meu bróder Modrack Freire. Inspirado numa iniciativa americana chamada book crossing, Modrack convida a todos os leitores que libertem um livro neste Natal.

Como funciona? Faço minhas as palavras de Modrack: “É só você pegar um livro. Um que você goste — não pode ser qualquer porcaria — e largar ele em um lugar público. Vale shopping, dentro de ônibus, na faculdade, em qualquer canto. Dentro, você deixa um bilhete explicando o que é o movimento e como participar, ou seja, depois de terminar de ler, deve-se libertar o livro novamente. Ao libertar um livro, você liberta mentes.”

A idéia de Modrack inclui selo promocional (postado mais acima) e também uma ótima alternativa pra quem tem preguiça de escrever: um marca-página que pode ser impresso e deixado dentro do livro. Neles, um texto explica a idéia e poupa você de qualquer trabalho. Faça o download do marca-página e pode começar a libertar livros.

O mais legal é que quem pega o livro vai estar motivado a libertá-lo após a leitura, criando um ciclo de libertação de mentes. Eu já vou libertar o primeiro esse fim de semana e vai ser “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Espero que você tenha a sorte de encontrá-lo.

direito de resposta

Acabo de receber e-mail de Jean Noronha, diretor de criação da agência mossoroense Mais Comunicação, que foi assunto post do PLOG chamado Plágio ou referência? - em que repercuti acusações de plágio que a agência sofreu em um forum de discussões do Orkut.

Segue e-mail na íntegra:

"Caro patrício, gostaria de falar contigo a respeito das acusações de plágio referentes à agencia. Você poderia me dar seu contato (telefone)???"

Rapidamente, respondi o e-mail pasasando meus números de telefone e meu msn. Agora é aguardar para ver o que teremos de novo sobre o assunto.


11/12/2008

pete, o boneco de carne

A Diesel colocou no ar sua nova campanha há duas semanas. O garoto-propaganda da ação, focada no mercado europeu, nada mais é que Pete, o boneco de carne. Parece louco? Você ainda não viu nada.

O viral produzido e já devidamente postado no Youtube conta a história de Pete através de um vídeo de quase quatro minutos. Nele, descobrimos que Pete é criação de uma açougueira triste e sem filhos que, motivada pela carência, resolveu fazer um boneco de carne (!). Após esculpi-lo com os melhores pedaços de bife e bacon (!!), a açougueira resolveu amamentá-lo (!!!). Este gesto deu vida a Pete, “the meat puppet” (!!!!!!!!!!!!).

Não consegui o vídeo legendado, mas mesmo sem sacar inglês, dá pra entender a incrível biografia de Pete. O jingle, que mistura estilos diversos como folk e rock, é um capítulo à parte.



A campanha é criação da agência FarFar, da Suíça, e tem ainda um excelente site onde você pode ver o vídeo que postei em alta qualidade, além de conhecer a coleção nopva da Diesel.

01/12/2008

homenagem a obama

Fatos políticos com eco mundial geralmente dão excelentes anúncios. Foi assim quando o mundo se uniu para pressionar Goerge W. Bush (que o diabo o tenha em breve!) a assinar o protocolo de Kioto. Na ocasião, uma ONG criou um concurso no qual estudantes de publicidade criavam anúncios com o intuito de convencer o presidente dos EUA a fazer o pacto pelo meio ambiente.

Agora, com a vitória de Obama, começam a aparecer os anúncios de homenagem. Geralmente, os publicitários odeiam esse tipo de anúncio. Mas é inegável: podem gerar pérolas como essa abaixo, criada pela Ogilvy de Joanesburgo para uma TV da África do Sul.


Título: É um novo dia.

FICHA TÉCNICA
Agência: Ogilvy, Johannesburg, South Africa
Direção de criação: Jonathan Beggs
Direção de arte: Thule Ngcese, Carl Willoughby
Redação: Mbulelo Nhlapo
Atendimento: Kay Motuba-Warie

27/11/2008

plágio ou referência?

Fico sempre meio triste quando vejo um caso de suposto plágio na propaganda. Principalmente quando o caso ocorre no mercado em que trabalho. No caso abaixo, não foi bem em Natal. Mas pelo fato de ser tão próximo, e num mercado que tenta se afirmar criativamente, fiquei triste do mesmo jeito.

A agência mossoroense Mais Comunicação está sendo acusada de seguidos plágios num fórum de discussão do Orkut. A pendenga começou com um comercial pra loja Sob Medida, criado pela Mais, que é extremamente semelhante a um comercial da TIM veiculado no início do ano em todo o Brasil. E quando eu digo extremamente semelhante não estou usando uma figura de linguagem. Confira você mesmo:


Comercial da Sob Medida:


Comercial da TIM:


Segundo participantes deste fórum de discussão, a mesma agência de Mossoró é responsável por pérolas do plágio como as que seguem abaixo:

Original:
Supostas cópia:

Original:
Suposta cópia:
Na lista de discussão do Clube de Criação de Pernambuco, da qual faço parte, o publicitário Tomas Bueno deu uma resposta muito interessante à pergunta “Plágio ou referência?”: Eu acredito que referência é quando a publicidade se inspira na vida. Seja arte, cotidiano, qualquer coisa, menos a própria publicidade. Eu acredito em coincidência quando a idéia é a mesma, mas a produção é diferente. Eu acredito em coincidência ducaralho quando não quero acusar ninguém de plágio.

Eu fecho com você, Bueno.

26/11/2008

no torrent: fringe

J.J. Abrams já era milionário quando criou “Lost”. Seu primeiro grande sucesso foi a série de espionagem “Alias”, que já tinha lhe rendido fama e dinheiro. Com “Lost”, ele conseguiu reconhecimento artístico. Com “Fringe”, sua mais recente criação, J.J. Abrams quer dizer que é uma fonte inesgotável de histórias surpreendentes. Até onde assisti, ele está conseguindo.
“Fringe” começa de maneira propositadamente semelhante a “Lost”: dentro de um avião. Um homem, manipulando uma ampola, libera alguma misteriosa toxina no ar. O resultado é que as pessoas do vôo simplesmente desintegram! Ao longo do primeiro episódio, porém, dá pra perceber que este acidente foi apenas a ponta do iceberg.

Entra em cena a Agente Olivia Dunham, que requisita a ajuda de um gênio da ciência experimental para solucionar o caso. Esse gênio é o Dr. Walter Bishop, que está num manicômio e só pode sair de lá com a autorização do filho e tutor, o também gênio Peter Bishop. Os três (numa dinâmica que inclui tensão afetiva entre pai e filho, tensão sexual entre agente e tutor e tensão profissional entre agente e cientista) vão se reunir para investigar casos aparentemente inexplicáveis pela ciência tradicional, mas totalmente plausíveis na ciência de borda – ou fringe science, que nada mais é que as coisas teoricamente possíveis, mas nunca comprovadas na prática.
A grande trama da série é exatamente essa: um misterioso grupo, chamado de “O Padrão”, está colocando em prática algumas teorias nunca utilizadas da ciência. E o laboratório que eles estão usando é justamente o mundo. Nessa realidade em que todos são ratos brancos, a agente Dunham, o Dr. Bishop e seu filho Peter estão a voltas com coisas aparentemente inexplicáveis como uma bomba que transforma o oxigênio em resina (!), um recém nascido que morre de velhice sete minutos após nascer (!!) e um homem careca que está sempre presente a grandes eventos da história, do assassinato de JFK ao de Malcolm X (!!!). A comparação com Arquivo X é inevitável. E realmente é muito parecido. A diferença de outras imitações da série clássica, como a fraquinha “Eleventh hour” da Warner (criada por Jerry Bruckheimer, o mesmo da franquia CSI), é que “Fringe” é muito bem feita. Tudo apresentado na série é teoricamente possível - até agora - e isso valoriza o roteiro. Os mistérios vão crescendo gradativamente e aos poucos já se cria a mitologia Fringe.

(A série também é responsável por um novo modelo publicidade: a Fox americana, responsável pela série, cortou metade dos comerciais e adicionou merchandisings inteligentes agregados à trama. Dessa forma, mesmo que você baixe os episódios, estará exposto à propaganda. Segundo os produtores, esses merchandisings já pagam o filhote.)

“Fringe” tem estréia prevista no Brasil em fevereiro de 2009. O canal que transmitirá o novo hype de J.J. Abrams é o Warner Channel.

25/11/2008

ene: programação completa

A Prefeitura não colocou nenhum site oficial do Encontro Natalense de escritores no ar. Que pena! É impossível falar de literatura sem usar a internet. (Aliás, também não tem campanha publicitária do ENE no ar, apenas campanhas de prestação de contas da atual gestão, que se despede em 31 de dezembro).

Pra remediar esse deslize de Carlos Eduardo, publico abaixo a programação completa do ENE, conseguida a duras penas só porque Alex de Souza enviou a referida à lista de discussão do Jovens Escribas. A julgar pela quantidade de informação disponível sobre o evento, já imaginou que vai ser casa cheia, né?


Quinta-feira

16h – Tenda Literária – Do Conto à Poesia
Convidados: Chico Mattoso, Silvério Pessoa, Nicolas Behr e Napoleão Paiva (moderador)

17h30 – Tenda Literária – Trio: Machado de Assis e Seus Amigos
Convidados: Antônio Carlos Secchi e Murilo Mello Filho (entrevistador)

19h – Tenda Literária – Encontro Marcado, com Arnaldo Antunes

20h30 – Tenda Literária - Uma Biografia em Construção
Convidados: José Sarney e Diógenes da Cunha Lima (entrevistador)

22h10 – Show de Arnaldo Antunes


Sexta-Feira

16h – Tenda Literária – Palavra Escrita, Palavra Cantada
Convidados: Abel Silva, Alex Nascimento, Antônio Ronaldo e Eduardo Gosson (moderador)

17h30 – Tenda Literária – O Escritor Editor: Conversas Sobre o Jornalismo Literário Brasileiro
Convidados: João Gabriel de Lima, Homero Fonseca, Moacir Amâncio e Alex de Souza (moderador)

19h – Tenda Literária – O Nordeste na Literatura Brasileira
Convidados: Carlos Heitor Cony e Tarcísio Gurgel (entrevistador)

20h30 – Tenda Literária – Ficção e Realidade em Não Verás País Nenhum
Convidados: Washington Novaes e Inácio de Loylola Brandão

22h – Show Tributo a Cartola


Sábado

16h – Tenda Literária – Oswaldo Lamartine: Ofício e Estilo de um Registrador de Coisas
Convidados: Carlos Newton Jr, Antônio Naud Júnior e Woden Madruga (moderador)

17h30 – Tenda Literária – O Desenho Rítimico da Bossa Nova
Convidados: Zuza Homem de Mello, Roberto Menescal, Zé Dias e Carlos Piru

19h – Tenda Literária –Vinícius: Palavra e Música
Convidados: José Miguel Wisnik, Arthur Nestroviski e Paula Morelembaum

20h30 – Tenda Literária – Um Romancista Nato
Convidados: Cristóvão Tezza e Humberto Hermenegildo

22h30 – Show do Cordel do Fogo Encantado

Em cada dia haverá ainda o Espaço Livro e lançamentos literários diversos.

24/11/2008

do celular pra internet

Já pensou se fizessem um sistema de podcast muito, mas muito simples de postar? Do tipo: você liga prum número, grava uma mensagem e ela automaticamente é publicada na rede.

Já pensou se esse sistema fosse gratuito e o custo da ligação fosse o de uma chamada local, independente de onde você está?

Já pensou se esse serviço disponibilizasse um código embed pra você colar o seu player no blog, ou no Orkut, ou onde quer que você quisesse divulgá-lo?

Pois é, alguém pensou nisso tudo. E criou o Gengibre, um site de podcast realmente diferente.
O site abre possibilidades infinitas. Por exemplo: você está num show, consegue entrar no camarim e resolve entrevistar o cantor. É só ligar pro Gengibre e fazer a entrevista com o celular. Ela é postada imediatamente na sua página sem custo algum. Depois, em casa, de ressaca, é só espalhar o player por aí. É ou não é crasse A?

Quem andou experimentando o Gengibre foi Xico Sá, jornalista e escritor, do qual sou fã incondicional. Xico escreve no blog O Carapuceiro e é autor de livros como “Caballeros solitários rumo ao sol poente", o primeiro romance brasileiro escrito em portunhol. No seu momento Gengibre, ele leu um trecho de “Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias”. Prepare os ouvidos.

22/11/2008

no torrent: zélia duncan

PRÉ PÓS TUDO BOSSA BAND

Até me surpreendi quando descobri no Google que “Pré pós tudo bossa band”, oitavo disco de Zélia Duncan, tinha sido lançado em 2005. Ou eu ando muito desatualizado em relação aos artistas que admiro, ou Zélia Duncan está trilhando uma carreira cada vez mais discreta em relação à mídia. A resposta é: 50/50. Tanto eu ando meio desligado, como Zélia Duncan fez a inteligente escolha de se distanciar um pouco dos holofotes.

Na primeira canção título, que abre o CD, ela já deixa bem clara essa estratégia. A música “Pré pós tudo bossa band” fala exatamente da era das celebridades, da necessidade de aparecer, de ser o melhor. Com uma elegante ironia, tanto na letra quanto na interpretação, a música diz: Todo mundo quer ser bacana / Álbuns, fotos, dicas pro fim de semana / Filmes, sebos, modas, cabelos / Cabeça-feita, receitas perfeitas / Descobertas geniais. Um bom começo. Em seguida vem “Carne e osso”, que foi tema de abertura da novela Sete Pecados. Nela, Zélia exalta o pecado como forma de ser mais humano. Com uma dose sensata de incorreção política, se tornou chatinha depois de seis meses no ar diariamente.

Mas depois desse momento rede Globo, o CD cresce. E muito.
“Vi não vivi” é uma canção de amor à primeira vista ás avessas. “Primeira vez que eu te vi / Meu coração não fez clique”, canta Zélia com originalidade. Em seguida, o blues “Mãos atadas”, em parceria com Frejat, faz lembrar aquela cantora de “Intimidade”. Suave, romântica e sem pieguices.

- Ouça "Vi não vivi":

O grande momento do disco continua com “Benditas”. A música fala da efemeridade do amor em relação ao famoso “Eu vou te amar pra sempre” que os amantes costumam se dizer. “A vida é curta / Mas enquanto dura / Posso durante um minuto ou mais / Te beijar pra sempre / O amor não mente / Não mente jamais”, canta ela.

Depois disso, um momento estranho. Diante de tanta poesia, “Braços cruzados” fala sobre violência urbana. Definitivamente, não encaixa no clima das primeiras músicas. E prejudica a audição de “Eu não sou eu”, balada romântica que soa mais melosa do que deveria.

Mas Itamar Assumpção , sempre ele!, salva a pele da cantora. Escrita com Alice Ruiz, “Tudo ou nada” tem a cara das músicas do autor. “Come on, baby / Transformar esse limão em limonada”, diz a letra, que é uma declaração de amor e de humor ao mesmo tempo, com uma bem-vinda pitada de rock’n’roll. Divertida e poética como só Assumpção sabe fazer.

A primeira metade do CD vale por todo ele. Por isso, pulo da música 8 direto pra 16 (o que fica nesse ínterim é a falta de surpresa, com sambas que soam antigos e até são bons, uma homenagem a Gilberto Freire numa vinheta dispensável, exaltações ao Rio, etc – tudo realmente acessório, muito embora bom de ouvir).

“Milágrimas”, essa sim, encerra em grande estilo “Pré pós tudo bossa band”.
Mais uma letra de Itamar Assumpção e Alice Ruiz, “Milágrimas” é cantada por Zélia Duncan e por Anelis Assumção, a filha do autor. Minimalista, sutil, tem cara de poema musicado. E que poema! Reproduzo aqui a primeira estrofe: “Em caso de dor, ponha gelo / Mude o corte do cabelo / Mude como modelo / Vá ao cinema, dê um sorriso / Ainda que amarelo / Esqueça seu cotovelo / Se amargo for já ter sido / Troque já este vestido / Troque o padrão do tecido / Saia do sério, deixe os critérios / Siga todos os sentidos / Faça fazer sentido / A cada milágrimas sai um milagre”. Essas frases cantadas com a dor de Zélia e a doçura de Anelis derretem qualquer coração duro.

“Pré pós tudo bossa band” não é memorável, mas é respeitável. Ao não cair na esparrela da mídia, que quase lhe transformou em deusa na época de “Catedral”, Zélia Duncan assumiu cada vez mais controle artístico sobre o seu trabalho. O Cd, portanto, tem a cara dela. Nessa época de fabricação de celebridades, é louvável.

- Ouça "Milágrimas":

20/11/2008

who's gonna save my soul?

Quem me conhece sabe que sou viciado em clipe. Não é em MTV, é em clipe. Vivo baixando, vendo no Youtube e até mesmo na Music Television (que aliás, pra mim, fica perfeita no Carnaval, com 24h de clipe sem parar). Só não entendi porque falo tão pouco deles no PLOG. Enfim, chegou a hora.

O clipe abaixo é do Gnarls Barkley, aquela banda que canta "Crazy". Achei tão arrebatador assisti-lo que fiz questão de compartilhar com vocês. O som até lembra Moby. Mas o que me fez vidrar nesse clipe foi mesmo o roteiro. Crasse AA. Saquem só.

18/11/2008

aquecimento global pela mtv

A campanha mundial Switch, da MTV, que pretende conscientizar a população sobre os perigos do aquecimento global, ganhou uma excelente peça criada pela Ogilvy de Amsterdã. Se servindo dos próprios canais fluviais da cidade, a agência espalhou bóias personalizadas por Amsterdã. O resultado: um ação de guerrilha realmente impactante. Saquem só:


Título: Aquecimento global. Por que se fala tanto disso?
Subtítulo: Descubra você mesmo no www.mtvswitch.org


Simples, direto, criativo e barato. Um dia eu chego lá. E aproveitando o ensejo, visitem a página da campanha para aprender mais sobre aquecimento global e suas conseqüência. O importante é que ainda podemos evitar muita coisa.

15/11/2008

no cine: [REC]

Assustador. O filme é realmente assustador. Estou falando de [REC], longa espanhol que estreou essa semana no Brasil. Quem procura sustos, tensão e medo, não vai se arrepender. Se você não acredita, veja abaixo a reação da platéia ao assistir o filme no Festival de Sitges, na França. Depois de ver, você continua lendo.





O filme usa de um artifício interessante para contar sua trama. Um programa de TV está cobrindo a noite em um quartel de bombeiros. A intenção do programa é mostrar tudo (como comem, como dormem, até mesmo uma eventual chamada). O que o espectador assiste é justamente a fita dessa gravação. Ou seja, vemos a repórter Angela olhando pra câmera, fazendo passagens, narrando o fato.

O terror começa quando moradores de um prédio chamam os bombeiros para socorrer uma vizinha que está gritando em seu apartamento. Os bombeiros chegam, vêem a mulher totalmente fora de controle e em pouco tempo a vigilância sanitária isola o prédio e proíbe a saída de todos. Existe um mal muito mais letal ali do que uma simples senhora passando mal. E a cada susto, vamos acompanhando a história através da câmera de Pablo, o cinegrafista do programa. O recurso usado no filme torna tudo muito mais aterrorizante. Logo de início você percebe uma atuação tão natural que chega a lembrar um desses filmes caseiros. Quando o horror começa, é impossível lembrar que é apenas um filme. Parece um documentário mesmo. Veja só o trailer:



Já havia visto esse recurso ser aplicado num antigo episódio do Arquivo X, em que Fox Mulder e Dana Scully acabam investigando um caso acompanhados pelas câmeras do programa COPS (famoso seriado americano em que jornalistas acompanham equipes da polícia sem desligar a câmera um só minuto). Em [REC] esse recurso torna tudo mais aterrador: a câmera sofre avarias, o áudio oscila, ela é desligada para economizar bateria. E a cada dano sofrido pela câmera, a imagem fica pior e o terror aumenta.

[REC] é uma boa lição para Hollywood. Prova que um bom roteiro supera qualquer dificuldade (de mercado, de orçamento, de distribuição). Afinal, quer seja de terror, quer seja de ação, quer seja de drama, o bom cinema sempre é construído em cima da mesma coisa: grandes idéias.


FICHA TÉCNICA
Título: [REC]
Ano/país: Espanha/2007
Direção: Jaume Balagueró

Roteiro: Jaume Balagueró,Luiso Berdejo,Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pablo Rosso, Martha Carbonell, Vicente Gil Cotação: 9,0

13/11/2008

mcm >>> #8

A pergunta que não quer calar: por que a Prefeitura de Natal nunca fez um comercial desse nível pra vender nossa cidade? Afinal, ela também é maravilhosa, né?

O comercial abaixo não é da Prefeitura do Rio, é do Shopping Rio Sul (o que me faz perguntar: por que nenhuma shopping de Natal fez uma propaganda dessas?). Segue o esquema de texto criativo + imagens magníficas. Esquema que, geralmente, gera comerciais sensacionais. Sem mais delongas, assista e babe.


30/10/2008

como sobreviver a um vôo transcontinental

Você ignora a crise global, a alta do dólar, o caos aéreo, o escambau e decide viajar. Pra bem longe. De avião. Você sabe que vai extrair disso um aprendizado transformador, uma experiência edificante e dezenove gigas de fotos de paisagens que ninguém vai ter saco pra ver. O que você talvez não saiba é que as viagens de avião são uma avançada técnica de tortura contemporânea.

Tudo começa pelas malas. Limite de peso é um estupro. Como você pode passar seis dias fora sem levar seus pijamas preferidos, seus filmes de estimação, seu aparelho de jantar e a pia da cozinha? Mas você só pode levar o indispensável. Isso significa que o aparelho de jantar e a pia da cozinha ficam. A mala é feita com todo o carinho, as roupas leves em cima, as pesadas embaixo, tênis em sacos de supermercado, roupas íntimas em sacolas de shopping. A pergunta é: pra quê? A mala é a primeira coisa da qual você se livra. Vai entender.

Chegando no aeroporto, você entra naquele saguão enorme. E cadê as placas de identificação? Excetuando-se pessoas que viajam de seis em seis dias, nunca se sabe exatamente o que fazer quando se chega a um aeroporto. Tom Jobim, Santos Dumont, John Kennedy, Charles de Gaulle. Não importa em qual personagem histórico você está penetrando (!). Todos agem como se você fosse PhD em embarques internacionais. O setor de informações, por exemplo, nunca está por perto. De quem foi a idéia de colocar o setor de informação sempre no meio do aeroporto? Ou seja, você só chega até ele quando já está completamente perdido.

Do setor de informações ao guichê da companhia. A fila está enorme e tem uma gordinha comendo donuts na sua frente. Não por ser gordinha, não por comer donuts, mas sim por ser retardada, essa gordinha nunca anda junto com a fila. Fica ali parada, saboreando suas gorduras trans, enquanto a fila vai andando. E você impaciente, de olho no relógio, com o peso improvável de sua bagagem de mão. É o tal do limite de peso. Você superlotou a bagagem de mão pra caber mais coisas. E agora disfarça o peso pra ninguém da companhia notar que as malas que serão despachadas são apenas a ponta do iceberg.

O check-in, esse sim, é a primeira etapa do juízo final. A atendente olha pra você com aquela cara de desinteresse e informa secamente que você ultrapassou em 122 gramas o limite de peso. Seu supercílio direito começa a dar pontadas. Mas calma, sem estresse, afinal você vai viajar para relaxar. Você abre a mala, tira um dos seus pijamas favoritos, enrola no pescoço como se fosse um cachecol e diz: tudo bem, lá é meio frio mesmo. A atendente faz vista grossa ao fato de que você está embarcando pro Caribe.

Última chamada. Você está frente à frente com o detector de metais. O duelo é inevitável. É agora ou nunca. Um passo, dois, três, piiiiiiiiiiiim. Ele apita mesmo depois que você deixa o celular, as chaves de casa, o cinto, as moedas, os brincos, a caneta, a caderneta com espiral, o piercing que nem lembrava que tinha, o botão da calça, a dignidade. O detector odeia você. Por fim, liberam sua passagem. E então você tem que se recompor ali mesmo no salão de embarque. Por que eles não colocam provadores de roupa após os detectores de metal?

Você está no salão de embarque, mas ainda não vai embarcar. Por isso ele existe. Você ainda vai esperar por uns vinte minutos, lutando contra a vontade de comprar um chocolate e uma garrafa de água porque, enfim, juntos eles custam quase 20 reais. Aliás, a gordinha retardada deve ser rica. Ela passa carregando mais de quinze barrinhas de chocolate. Você é tão ignorante que não conhece uma coisa chamada free shop.

De repente, você percebe aquele olhar. Aquela coisa pesada sobre você, aquela energia negativa. Um vampiro? Um dementador? Um alienígena sanguinário? Não, muito pior. É uma criança bilíngüe. Elas são os mais nefastos habitantes dos aeroportos. São filhas da miscigenação. Aquela, em específico, é filha de uma carioca da gema com um alemão da clara. E fala português como se estivesse praguejando e alemão como se cantasse funk. “Oi, meu nome é Schwartszwann”, ela diz carinhosamente. “Oi, Nietzcxhezwann”, você tenta. E então ela passa a cantar canções infantis. Em alemão. É a coisa mais linda que você já viu. Mas cinco minutos depois, você deseja que um avião caia na cabeça dela.

Chega o grande momento. O vôo está taxiando. As pessoas se aglutinam. Uma negra com uma microssaia mais curta que seu cinto vem recolher Mxyzptlkzwann. Você sai correndo pra embarcar, mesmo sabendo que todo mundo tem lugar marcado. Aliás, ao que parece, todos ignoram esse detalhe e passam a se acotovelar na entrada do tubo de plástico que conduz à aeronave. Nesse aglomerado, você aproveita pra dar uma cotovelada no cocoruto da criança bilíngüe. Ela não fez nada com você. Mas fará. Você é antes de tudo precavido.

Dentro do avião, você se assusta quando um manequim de vitrine cumprimenta você em três idiomas diferentes. É a chefe de cabine. Ela tem oito clones espalhados pelo avião, todos bonitos, solícitos e sem personalidade. Você dribla esses fugitivos de um romance de Aldous Huxley e chega até sua poltrona. Não é janela. Não é corredor. Você está bem no meio. De um lado, na janela, a criança bilíngüe. Do outro, no corredor, a gordinha retardada.

Você pensa em largar tudo, voltar, aproveitar que as malas estão feitas e passar o fim de semana em Guaratinguetá. Afinal, quem quer conhecer o Caribe? Praia, areia, mulatas rebolantes: tudo isso tem no Brasil. Bom mesmo é Guaratinguetá! Mas a porta da aeronave fecha e os comissários de bordo, todos clones uns os outros, ensinam como você deve proceder caso o avião caia.

Você guarda sua bagagem de mão (que quase não cabe no compartimento, mas se começarmos a falar nisso dá outra crônica inteirinha), senta entre seus algozes e pensa num estalo: peraí, há probabilidade disso cair? Você não estava preparado para essa revelação. É algo óbvio: aviões podem cair. Mas quando se está dentro dele, enfim, essa certeza racional se torna uma revelação funesta.

A gordinha retardada peida no exato momento em que o motor do avião é ligado. Também neste exato momento a criança bilíngüe começa a chorar aterrorizada (fingindo medo, você sabe bem, ela quer apenas a vingança). Você não sabe realmente o que fez pra merecer isso. Afinal, estar com uma criança escandalosa e uma gordinha peidante dentro de um bólido de metal que pode despencar a qualquer momento dos céus não é necessariamente uma bênção.

O avião está correndo na pista. O pum da gordinha cheira a pudim de leite azedo. A criança começa a gritar que você bateu nela. Todos na aeronave olham pra você como se encarassem um monstro. O avião sai do solo. O compartimento de bagagens de mão abre e todos os seus DVDs pornôs e cuecas velhas voam pela aeronave. Você é tomado por uma certeza aterrorizante de que este vôo vai explodir nos céus e todos vão morrer. Você já viu isso num filme, sabe bem como é. Você precisa evitar.

Então, acometido de um surto inédito de heroísmo, você puxa a alavanca de emergência gritando “Vive la France!”. Máscaras caem automaticamente sobre as poltronas. Você segue os procedimentos de segurança, põe sua máscara, depois a da criança (pra ela calar a boca) e antes que o comandante acione a torre de controle para arrematar a decolagem, você respira profundamente seu oxigênio sem pudim azedo e pensa: eu adoro Guaratinguetá. Então, você relaxa e goza.

28/10/2008

no gibi: Y

Depois de ler "Sandman" (e reler, e reler, e reler como eu fiz), é difícil se impactar com algum quadrinho. Por isso, leve a sério o que vou dizer: leia "Y – O último homem" de Brian K. Vaughan e Pia Guerra! Mas leia mesmo, não deixe pra depois. Porque trata-se de uma das melhores coisas que surgiram em quadrinhos nos últimos anos. Sem exageros.


A história é simples de doer (e justamente por isso é genial): um surto misterioso mata todos os portadores do cromossomo Y do mundo. Ou seja, todos os machos do planeta. O jovem Yorick e seu macaquinho de estimação são os únicos do gênero masculinos que escapam a essa aniquilição.

Enquanto as mulheres tentam reconstruir um mundo que perdeu quase metade de sua população do dia pra noite, Yorick e seu macaco fogem de feministas extremistas, gangues urbanas, agentes secretos de Israel… enfim, de todos que querem terminar o que o surto misterioso começou.

A série, em 60 edições, terminou sua publicação nos Estados Unidos em outubro do ano passado. E com o sucesso retumbante, claro, já tem roteiro pronto pro cinema. A promessa é que seja uma trilogia, com direção de D.J. Caruso (o mesmo de "Roubando Vidas" com Angelina Jolie).


Até agora, li até o número 8. E tome gangues urbanas de mulheres que arrancam um seio de si mesmas, cidades que só sobreviveram à crise mundial porque eram comandadas por mulheres há anos, intrigas na Casa Branca e Yorick fugindo de tudo e todos que querem ele mortinho da silva.

A publicação no Brasil é pela Editora Pixel. E vale cada balão de diálogo.

23/10/2008

relax

Tá a fim de dizer um "vai tomar no cu" daqueles bem sonoros pro atendimento da sua agência? Seja mais criativo. faça como Jack Nicholson. Essa vai especial pra todos os redatores e diretores de arte que se plogam. A dica foi do bróder Mark Winkler. Enjoy!


21/10/2008

no cine: blindness

O que mais incomoda em Ensaio sobre a cegueira é aquilo que você não vê. Sem trocadilhos baratos, dá pra perceber nitidamente a intenção do diretor de incomodar com imagens sugeridas. Ou seja, o que ele não mostra é o que tem mais força. E essa sacada genial faz de “Ensaio” o melhor filme do ano.

A trama é a seguinte: um surto de cegueira se espalha por uma cidade de forma contagiosa, forçando o Governo a isolar os infectados numa espécie de campo de concentração. Juliane Moore faz a única personagem que não é contaminada pela enfermidade e, por assim dizer, funciona como nossos olhos nesse universo de cegos. E que universo. Tem de tudo: lutas por comida, sujeira por todo canto, pernas infeccionadas à beira da gangrena, estupros. Ou seja, tudo que passa quase desapercebido aos cegos, mas dilacera o olhar de quem enxerga. No caso, Juliane Moore. Por tabela, nós.

Juliane Moore: um personagem que não tem nome

Baseado no romance homônimo de José Saramago, único escritor de língua portuguesa a ter um Nobel em seu currículo, “Ensaio” foi transposto pra tela grande pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, o mesmo de “Cidade de Deus”. E olha, o cara está na sua melhor forma.
Na cena inicial, quando um dos personagens cega repentinamente em meio ao engarrafamento de uma grande metrópole não identificada, já se revela a malandragem do diretor: na confusão de carros passando, sinais fechando, pessoas correndo, placas de publicidade, o público quase não vê o que realmente acontece. Mas entende perfeitamente.

Em terra de cego, quem enxerga é muleta

O filme segue assim: sem mostrar, mas se fazendo compreender. Uma grande forma de trazer pra tela o que está no livro: de certa forma, Saramago usou a limitação do livro (a de não conter figuras) para compor imagens fortíssimas. Meirelles seguiu o mesmo raciocínio e acertou. Inclusive, acertou ainda mais em manter detalhes do livro que fazem a diferença. Os personagens, por exemplo, não têm nome. É a mulher do médico, o médico, a mulher de óculos. Quem leu o livro, como eu, sai extasiado. Quem não leu, nem se preocupe, dá êxtase também.

Ensaio, o livro: a obra-prima de José Saramago

Se você ainda não viu “Ensaio sobre a cegueira”, a despeito de qualquer trocadalho do carilho, corra para ver. E se prepare para ler nas entrelinhas desse grande filme.




FICHA TÉCNICA

Diretor: Fernando Meirelles
Elenco: Juliane Moore, Mark Rufalo, Gael Garcia Bernal, Alice Braga, Danny Glover
Título original: Blidness
Ano: 2008
Site oficial: www.ensaiosobreacegueirafilme.com.br
Cotação: 10,0

13/10/2008

cinema de geração

Saca só. O filme fala de universitários discutindo a vida em meio a milhões de referências ao universo da cultura pop. O detalhe é que é cinema nacional. Torceu o nariz? Não vá tão rápido.

Com influências de Nick Hornby (Alta Fidelidade), Kevin Smith (O Balconista), Cameron Crowe (Quase Famosos), etc, etc, etc, o filme "Apenas o fim", segundo o Omelete, é um dos mais promissores da década. Tudo isso por retratar uma geração inteira que chegou à idade adulta bombardeada por internet banda larga, TV a cabo, blockbusters e por aí vai.

A obra é do cineasta estreante Matheus Souza e acaba de ganhar o prêmio de Melhor Longa Metragem no Voto Popular do Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Segundo a bíblia nerd Omelete, "a exibição do filme no Festival do Rio foi mais que uma epifania e a reação do público a cada cena será lembrada".

Curioso? Veja o trailler.





23/09/2008

wario land

Quer ter uma experiência completamente nova na internet? Saque só essa.

Para divulgar o novo Wario Land, nova versão do clássico Super Mario para Wii, a Nintendo postou um vídeo sensacional no Youtube.

Novo Super Mario:
agora ele se chama Wario

Completamente virótico, daqueles que se espalham rapidinho, o vídeo é diferente de tudo que você já viu na telinha do Youtube. Sem exageros, ele leva ao extremo as possibilidades atuais de interação na plataforma que utiliza.

Novo Super Mario:
ele não é mais o mesmo

Pra experiência ser completa, é melhor ver o vídeo direto no site. Por isso, clique no link aqui e enjoy. Depois, claro, volte no PLOG pra comentar. Pelo amor de Deus.

Novo Super Mario: definitivamente,
ele não é mais o mesmo

21/09/2008

santo talk-show!

O animador Fernando Balão, de São José dos Campos, ganhou esta semana (na categoria Júri Popular) o HTTPVídeo, o 1° Festival de Videoarte no Youtube, promovido pelo Instituto Sérgio Mota.

Nem precisa dizer que o site do HTTPVídeo dá show ao compilar os vencedores e apresentar, por assim dizer, o mel do melhor do Youtube.br.

Mas como o post não é sobre tecnologia, e sim sobre arte, fiquem logo aí embaixo com o vídeo vencedor. "Lindomar entrevista Jesus Cristo" é uma animação de mais ou menos 3 minutos que vale cada frame carregado. Enjoy!


19/09/2008

blog do saramago

Bom, galera, não costumo fazer isso. Indicar um blog só porque o cara é meu amigo é algo que não faz parte de meus princípios. Mas resolvi abrir uma exceção: e recomendo o blog do Saramago.

Sim, José Saramago. Aquele vencedor do Nobel. Aquele de “Ensaio sobre a Cegueira”, “O evangelho segundo Jesus Cristo” e outras pérolas. Meu bróder Saramago.

Agora sério: recomendadíssimo o blog desse genial escritor. O portuga radicado nas Ilhas Canárias parece mesmo disposto a tornar-se multimídia. Depois de ter sua obra adaptada pro cinema com o filme Blindness, Saramago agora é blogueiro. É uma baita concorrência!

Concorrência desleal:
com Saramago na blogosfera,
não tem pra ninguém

No Caderno de Saramago, o autor faz exatamente a mesma coisa que milhares de jovens internautas: bloga. Ou seja, escreve sobre qualquer coisa, dá suas opiniões, expõe um pouco da sua vida e interage com os leitores. Tudo, claro, ao estilo Saramago. Um texto delicioso, inteligentíssimo, daqueles que você lê com gosto e pergunta ao final: tem mais?

O blog, hospedado dentro do site da Fundação Saramago – pra você ter certeza de que não caiu num truque de internet e está lendo um adolescente espinhento que se passa por Prêmio Nobel –, ainda disponibiliza a opção de ser lido em dois idiomas: português (lusitano, claro, visto que o autor não autoriza “traduções” para o português do Brasil) e espanhol.

Abraço, Sara. Não precisa agradecer pela forcinha que eu dei, beleza, véio?

15/09/2008

plog list >>> Metric

Funciona assim: você dá play, vai ouvindo a música e lendo o que tem embaixo do play. Tudo pronto? Então vamos lá.



A banda se chama Metric e se formou em Nova York. Entretanto, por algum motivo que o Google não soube explicar, migrou pro Canadá. Meu primeiro contato com ela foi há exatos 30 minutos. O que posso dizer? Crasse A.

Formada por músicos americanos e canadenses, o Metric já abriu turnê pro Rolling Stones e se apresentou em junho desse ano no Brasil. Foi no Motomix, em São Paulo.

Metric: de Nova York pro Canadá

A vocalista Emily Haines tem aquela voz docinha, sussurrada, delícia de ouvir. O som é limpo, às vezes melancólico, outras suavemente feliz. Puro indie rock, mas com uma pitada de pop que dá até esperança de ouvi-los um dia na rádio. Tem um quê de Portishead, algo de Dido, uma pontinha de Cardigans.

A música que você está ouvindo se chama “Hardwire” e faz parte do álbum “Grow up and blow away” de 2002 (que nunca foi lançado oficialmente, mas está disponível nos torrents da vida). O disco de estréia, de 2003, se chama "Old world underground, where are you now?".

Quer uma sugestão? Vinho, meia luz e Metric. Casamento perfeito.

12/09/2008

no front: brilux e iphone

A Gruponove, agência de publicidade de Recife-PE (sim, aqui do ladinho!) saiu na frente. E é a primeira agência do Brasil a desenvolver material publicitário exclusivo para o iPhone. O aplicativo, que usa criativamente a interatividade permitida pela tela iTouch, servirá para divulgar o limpa-vidros da Brilux.

Mesmo antes de seu lançamento, avisa o vídeo abaixo, o Brasil já tem 300 mil iPhones funcionando. Ou seja, a Gruponove saiu na frente, mas demorou pra alguém se ligar e usar essa mídia.

A idéia é do caralho (veja vídeo). E o gostinho de ver uma agência do Nordeste, fora do eixo Rio-São Paulo, sair na frente não tem preço. Se eu tivesse sido o redator da idéia, não trocaria essa sensação por Leão de Cannes nenhum!!!


Crasse A!!!!



Brilux no iPhone from Leonardo Parnes on Vimeo.

mcm >>> #7

Sabe aquela coisa de observar a vida e extrair uma sacada criativa? É exatamente isso que faz esse filme. Um insight poderoso, daqueles que todos nós já vivemos (ou tentamos viver) transformado num comercial de uma delicadeza impressionante. Principalmente para o produto que anuncia. Sem mais revelar, vamos ao filme. Classe A.


28/08/2008

no torrent

Ainda não estreou, então esquentem seus torrents para daqui a pouco. A série britânica No heroics promete ser um bálsamo de humor inglês no supersisudo universo de super-heróis.

A trama: quatro amigos com superpoderes que são constantemente achincalhados pelo super-heróis mais famoso do planeta, o Excelsior. O problema desses super-heróis perdedores vai além das rusgas com Mary Jane: um é viciado em masturbar-se, o outro tem problemas com mulheres, mais uma é gorda e a outra é cleptomaníaca.

Prepare-se para uma lista deliciosa de superpoderes inúteis (como enxergar seis segundos no futuro) e para muitas referências ao universo dos quadrinhos (alguém lembrou de Superman quando eu falei em Excelsior?).

A série estréia em setembro
na Inglaterra. E no meu torrent também! Por enquanto, o trailer pra dar o gostinho.

a cova digital da globo

A Globo disse que não vai investir em multicanais na TV digital. Que colocar mais canais no ar aumenta custos e não atrai novos anunciantes. Que prefere usar o sinal digital para melhorar a qualidade de imagem. Mas o que parece apenas uma decisão empresarial focada na melhoria do serviço para o telespectador nada mais é do que uma estratégia para manter a influência arrasadora da Globo sobre a mente dos brasileiros. Teoria de Arquivo X? Vamos aos fatos.

As afirmações acima são do diretor de engenharia da emissora carioca, Fernando Bittencourt. Ele debateu o assunto no 5° Fórum Internacional de TV Digital, no painel “Grandes Redes no Ambiente Digital”. Segundo Bittencourt, o número de anunciantes não subirá com o número de canais. O sistema nipo-brasileiro permite que as emissoras tenham até quatro canais com qualidade de imagem normal ou apenas um canal com imagem digital. A Globo prefere imagem de alta definição à programação multicanal. Mas é claro que não é por causa do bem do telespectador.

Explico: nos últimos anos, a Globo vem sofrendo para manter sua audiência estratosférica. Com a chegada da banda larga, do DVD, do celular 3G e agora, da TV digital, o mundo todo sofreu o fenômeno de pulverização da audiência. Ou seja, programações mais fragmentadas e direcionadas a nichos de mercado. Foi esse fenômeno que possibilitou a chamada Era de Ouro da TV americana: séries com enredos intrincados, formatos diferenciados e tramas mais elaboradas que atraem facções do público. Mas facções fiéis, que acompanham as séries, compram produtos licenciados e migram suas audiências a outras mídias relacionadas. (Como o caso dos gibis de “Heroes” disponibilizados para download no site da série. Esses gibis tinham historietas com informações adicionais da trama veiculada na TV. Foram baixados por milhões gratuitamente traduzidos pelos fãs para diversos idiomas e mais tarde lançados como gibis convencionais.) Sucesso de audiência pelo mundo afora é aquele programa que alcança 20 pontos de audiência mesmo sendo uma superprodução. Pra efeito de comparação, uma novela das seis da Globo com 20 pontos de média é um fracasso.

O que a emissora carioca pretende ao rechaçar a multiprogramação é manter sua fatia gorda do bolo. Ou seja, investir somente em uma transmissão, em tese, pode manter a audiência como um cordeirinho diante do canal 11. Na prática, porém, essa realidade já foi testada e reprovada em diversos países do mundo. E aqui no Brasil não será diferente.

Novelas como “Mutantes”, por exemplo, provam isso. Não agrada a gregos e troianos, mas tem um público fiel que não deixa a peteca do Ibope da Record cair. A MTV também é um outro exemplo: um canal fragmentado, com programação dirigida ao público adolescente e uma verdadeira seita de seguidores que mantêm seus níveis de audiência sempre estáveis. Nunca é um arrombo de audiência, mas em compensação tem sempre a sua fatia do bolo garantida.

Os anunciantes, por sua vez, acompanham a fragmentação. Me permitam um exemplo técnico: se existisse um canal que atingisse diretamente mulheres na faixa dos 25 aos 35 anos, público-alvo prioritário dos produtos Dove, por que a Dove investiria milhões numa mídia nada fragmentada na Globo? Esse exemplo se transfere a todos os produtos do mercado. Preste atenção aos comerciais veiculados na MTV. São produtos que jamais freqüentam a programação de grandes emissoras. Mas estão ali, na MTV, pagando o salários dos VJs.

Essa postura de gigante da Rede Globo é um tiro no pé. Na ânsia de manter seu Ibope, a emissora acaba sendo a mesma sempre. Novelas previsíveis, telejornais pálidos, coberturas internacionais exatamente iguais. O aclamado Padrão Globo acaba tornando a grade da emissora uma coisa cinza, uma zona de conforto, um lugar sem grandes novidades. E a geração que está saindo da escola pro mercado de trabalho não quer mais isso.

Boni, ex-diretor de programação da emissora, chegou a afirmar no Maximidia de 2006, em São Paulo, que a interação entre TV e computador era inviável. Para ele, quando um programa de televisão diz pro telespectador acessar a internet para votar numa enquete, por exemplo, na verdade está perdendo audiência, porque aquelas pessoas irão pro computador e se dispersarão da TV. Na teoria, o raciocínio é perfeito. Mas na prática, é um retrocesso. Hoje em dia, muita gente vê TV, navega na internet e ouve música no iPod ao mesmo tempo. Ao investir na audiência de hoje e desprezar a audiência futura, a Globo cava sua própria cova.

Claro, isso é ótimo pra gente. Ter uma TV onipotente não é nada bom para o país. A opinião pública fica à mercê dos caprichos do diretor de jornalismo da emissora. A moda, os costumes, a evolução da sociedade: tudo isso acaba sendo tacitamente ditado pelas telenovelas globais. Os heróis que temos são os atletas erigidos ao posto de deuses pelos editores do Globo Esporte. E assim, o Brasil imerge na ignorância de sempre. A ignorância global.

Que a TV digital e a cabeça-dura dos executivos da Globo nos dêem uma esperança.

22/08/2008

no front

Assista

Into the wild. Filme de Sean Penn baseado no livro homônimo de Jon Krakauer. A história gira em torno de Christopher McCandless, um jovem americano que está saindo do colégio e decide, assim como quem não quer nada, largar tudo e ir bancar o eremita no Alaska. Com o desenvolvimento tocante e envolvimente, o filme mostra todos os questionamentos do protagonista sobre as relações sociais, a sociedade de consumo e a necessidade que sente de se livrar disso tudo. Você realmente entende por quê ele quer ir viver no Alaska. Dica: não leia mais nada sobre o filme, apenas assista e evite surpresas estragadas. O trailler tá ae embaixo.

Ouça
Yael Naim. Cantora filha de francês com israelense, essa menininha com cara de anjo chegou cheia de criatividade e delicadeza. Sua música mais famosa se chama “New soul” e ganhou o mundo como trilha sonora do comercial de lançamento do Mac Book Air. Abaixo, o clipe da supracitada.

Leia
Malvados, compilação das tirinhas de André Dahmer publicada pela Editora Desiderata. O volume traz pérolas das famosas florzinhas com crises existenciais. Sem se preocupar com o politicamente correto,. Dahmer dá show de criatividade em tiras mordazes, de humor certeiro e muita, muita, muita acidez. Preço: 36 mangos. Compre aqui. Abaixo, um aperitivo.


Anote
“Antes à tarde do que nunca” Anúncio de motel no Rio de Janeiro.

19/08/2008

mcm >>> #6

Desculpa inistir no tema, mas é que esse comercial realmente me fisgou no meio da tarde. Sem o virtuosismo visual da campanha da Sony Bravia, mas com um virtuosismo técnico de igual potência, segue o VT do Walkman Sony. Realmente de babar.



Pra quem não viu o filme da Sony Bravia, republico abaixo. Vale a pena ver pra perceber onde a criatividade entrou: adaptar uma idéia que é basicamente visual para um produto que é sonoro não é nada fácil.



No post original sobre essa campanha tem também o making off.

16/08/2008

liberdade ainda que tardia

Uma matéria no cantinho da página 7 da Tribuna do Norte de Hoje me deixou de orelha em pé. Segue texto na íntegra.

ANJ lamenta decisão da justiça contra site de jornal

Brasília (ABr) - A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou ontem uma nota de protesto contra a retirada do ar do site jornalístico “Novo Jornal”, de Minas Gerais, em meio a uma investigação do Ministério Público do Estado. Após o site publicar em editorial críticas ao procurador-geral da Justiça de Minas, Jarbas Oliveira, foi instaurado um inquérito para “apurar matérias atentatórias à honra de autoridades públicas”, de acordo com a assessoria do MPE.

Na quinta, com um mandado de busca e apreensão, foram confiscados o servidor do jornal e computadores, e o site foi retirado do ar. Quem tenta entrar em www.novojornal.com.br encontra apenas uma mensagem da Promotoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos informando que a a página foi suspensa por medida cautelar judicial.

A ANJ questionou que a censura ao site e a apreensão dos equipamentos tenham ocorrido em fase inicial de inquérito. “É uma forma inédita e preocupante de cerceamento da liberdade de imprensa”, disse a instituição em nota.

Tribuna do Norte http://www.tribunadonorte.com.br

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Coincidência ou não, esse lamentável episódio ocorreu no Estado de Minas Gerais, governado por Aécio Neves, neto de Tancredo Neves e político ovacionado por seus dotes de gestor - mas acusado por diversos organismos mineiros de exercer uma censura descarada sobre os meios de comunicação do Estado.

Pra quem não ligou o nome à pessoa, Aécio Neves é o futuro presidente do Brasil. Pelo menos é o que o PSDB acredita piamente. O partido vem investindo na imagem de seu maior destaque nacional de olho nas eleições de 2010.

Aécio Neves: futuro presidente ou atual órgão censor?

Se você não ouviu nada a respeito dessas denúncias de censura em Minas Gerais, capitaneadas pelo séquito de Aécio Neves, assista abaixo o documentário que deflagrou a acusação, feito por um estudante de comunicação da UFMG.

Parte 1:


Parte 2:


Parte 3:


A repercussão desse documentário foi tão grande que ele ganhou até uma versão em inglês. Ah, sim, e apesar da base governista de Minas dizer que é tudo mentira, se deu ao trabalho de produzir diversos documentários desmentindo esse (todos devidamente postados no Youtube). Nenhum, obviamente, com a riqueza de depoimentos e fatos do original.