28/05/2008

telefonia má

Você acha que sua operadora de celular é boa? Bom, o vídeo abaixo prova que quando a coisa esquenta, isso não é verdade. Comprove.


25/05/2008

corpo

Parece bom. Estréia 30 de maio.


22/05/2008

carta da distância n°2: do verbo estranhar

Yo soy un chico, mas também sou Chico. Pois me chamo Francisco e como todos esses franciscos que não têm vergonha da própria matutez disfarçada numa casca cosmopolita, estranho em demasia essas palavras todas diferentes, essa facilidade em ler/dificuldade em ouvir, esse quase não falar que se transforma num silêncio raivoso ao lembrar segundas quartas sextas diante de uma interminável aula de idiomas. Estranho, mas sigo. Numa liberdade de conjugar verbos errados, num aprendizado de dizer apenas o indispensável, no ato falho de soltar sem querer uma frase em português (como se algo quisesse sempre me lembrar que aquela linguagem não é a minha, que apenas simulo uma nova linguagem).

Pelas ruas – que não são ruas, são calles – estranho esses nomes que não me dizem nada. Absolutamente nada. Gregorio Marañon, Príncipe de Vergara, Nuñez de Balboa – quem são?, quem foram?, quem serão? Eu não sei, mas vou deixando que façam parte de mim, que me signifiquem alguma coisa, que digam um pouco do que sou. Afinal, nunca soube mesmo quem era esse tal de Rio Branco – nome de rua em quase todas as capitais do Brasil. Eu sigo.

Já domino, de certo, os palavrões. Muito embora seja estranho topar numa pedra e dizer baixinho, abafado – pra nenhuma senhora que está voltando da igreja se horrorizar – um corriqueiro ¡Hostia!. Em contrapartida, que encanto é dizer alto na mesma situação aquele Porra! que fomos educados a conter. Aqui, porra é um desses churros gigantes que se comem com chocolate quente. Aqui eles não sabem a verdadeira carga sócio-político-cultural impregnada num sonoro porra.

Estranho os horários e isso não é novidade alguma a quem já foi vítima dos fusos. Acordo sem fome, tomo café com leite no almoço, janto feijão com arroz e faço uma boquinha às duas da manhã. Antes de dormir. A mente reclama, diz que já é hora de conhecer as manhãs desse país, mas o corpo, coitado, enterrou seu umbigo numa cidadezinha litorânea às margens de um rio com nome indígena. (E pra quem estranhou, como eu, a parte do feijão, explico: aqui tem sim, mas eles são vendidos em vidros de compota, já vêm prontos e são caríssimos. Feijoada nem pensar.)

De todas essas pequenas diferenças, como era de se supor, nasce um estranhamento de mim mesmo. Como se quando me sirvo de tortilla e explico que no Brasil quase ninguém conhece a Amazônia, não fosse eu falando. Fosse um outro. Que sou eu sim, eu sei, mas age como um outro. Um antropólogo que estudou nossa etnia e pode falar dela com ares de PhD. Um Levi Strauss negro, barbudo, que não sabe dizer onde estão as luvas de lavar pratos pelos simples fato de que não sabe como dizer pia. Poucos têm idéia do quanto se pode aprender quando não se sabe dizer pia.

Vou levando. Explicando que no Brasil só quem sai nu no carnaval são as mulatas de Escolas de Samba e os travestis; sentindo orgulho quando dizem por aqui que Lula é um bom presidente, mas morrendo de vontade de dizer que poderia ser bem melhor; ensinando pela enésima vez como se samba; tentando descrever a sensação de tomar um copo de suco de mangaba daqueles que deixam os lábios grudentos; falando das comidas que já não comemos, das praias onde já não me banho, do incrível que é perceber como venho de um país grande.

Aqui não tem essa palavrinha que dói tanto chamada saudade. O mais próximo que podemos chegar é dizendo “Yo extraño…”. Talvez por isso eu estranhe tantas coisas. Talvez.

15/05/2008

ñ parece mas é

É o caso desse vídeo. Acredite: trata-se de uma propaganda da Levi's. Mas você vai ver, vai achar ducaralho, vai passar adiante como se fosse mais um videozinho interessante do Youtube e ao final a estratégia publicitária vai se cumprir: nasce uma açao viral. Pois é. O importante é que o vídeo é massa. Classe A.


12/05/2008

no front: Diva na Brouhaha

Escrevi ano passado, mas só agora foi publicado. É "Diva", conto que fala do amor de um travesti por um amigo de infância. A notícia me foi dada por Fialho, via MSN, dizendo que saiu na Brouhaha desse mês. Além do conto, também há uma matéria sobre escritores potiguares intitulada "Pra onde vai a literatura potiguar" (ou algo assim). Fialho, envia logo essa revista pra mim, tá! E quem quiser comentar o conto, pode me enviar e-mail.

10/05/2008

relax

Só pra relxar no fim de semana. A dica foi de Tereza Ratts. Enjoy!

06/05/2008

no torrent

SHORTBUS

Um filme que começa com um cara se masturbando e tentando gozar na própria cara pode NÃO ser pornô? Pode. E pode ser bom? Pode. Pode até ser ótimo. É o caso de “Shortbus”.

John Cameron Mitchell queria fazer um filme que falasse francamente de sexo. E mais: ele queria um filme que se desenvolvesse com um roteiro aberto, pouco a pouco modificado pelas próprias experiências sexuais do elenco. E mais: ele queria um filme experimental, mas redondinho, sem aquele gostinho de David Lynch falso ao final. Pois bem, ele tanto queria que conseguiu.

Um dos maiores méritos de “Shortbus” (Estados Unidos, 2006) é esse: ser exatamente como seu diretor o concebeu. Assim, o que vemos nos 101 minutos de filme é uma grande celebração do sexo, com discussões abertas sobre o assunto, passando muito longe do moralismo e com zero de vulgaridade – muito embora Mitchell não economize em trocas de casais, felações em grupo, transas a três, homossexualismo, acessórios eróticos dos mais inventivos e tudo mais que você imagina que um filme sobre sexo pode conter.

Ambientado em Nova Iorque, a história mostra como diversos desconhecidos tiveram seus caminhos cruzados por duas coisas: frustrações sexuais e o desejo de resolvê-las. Assim, acompanhamos uma terapeuta de casais que nunca teve um orgasmo, um casal gay que decide encarar um relacionamento aberto a três, um voyeur inveterado com uma paixão platônica, uma prostituta no estilo dominatrix que sofre por falta de amor, etc. Cada um deles busca algo que lhe falta e o País de Oz da película se chama Shortbus: um clube underground aonde todos vão para liberar as fantasias sexuais e, falando poeticamente, foder. Muito.

O método de trabalho de Mitchell é inovador. O diretor primeiro abriu testes a todas as pessoas, quer fossem atores profissionais ou não. A partir de uma lista imensa chegou a 40 nomes. Depois, em vez de fazer mais testes de vídeo, chamou todos para uma festa mensal que realizava em Nova Iorque chamada Shortbus. Ali, observou paqueras, fez anotações, viu quais corpos combinavam melhor e chegou aos protagonistas. Com esse reduzido grupo, numa técnica semelhante a de alguns grupos de teatro, passou a desenhar a história do filme. Cada ator contribuiu com o desenvolvimento da trama e colocou um muito de si em seus personagens. E isso está claro no vídeo: você não consegue diferenciar o que é real do que não é.

Falando em linhas gerais, “Shortbus” é uma comédia quase romântica e quase dramática. Trata dos problemas que todos nós enfrentamos: a vergonha de dizer o que quer na cama, a vontade de ser o melhor, a frustração de não estar à altura do parceiro, o medo de sentir algo mais que tesão e até mesmo a agonia de não sentir nada mais além disso. Pode não parecer, mas é uma comédia.

A cena inesquecível é justamente aquela que citei no início: o filme começa com um cara se masturbando no chão de um apartamento. Perto de gozar, ele equilibra o quadril pra cima a fim de conseguir fazê-lo no próprio rosto. E sabe o que é devastador? Quando consegue, começa a chorar. É que antes de ser sobre sexo, o filme é sobre solidão.

FICHA TÉCNICA
Título: Shortbus
País/ano: EUA, 2006
Espécie: Drama
Duração: 101 min.
Roteiro e direção: John Cameron Mitchell.
Elenco: Paul Dawson, P.J. DeBoy, Lee Sook-Yin, Lindsay Beamish, Raphael Barker e Justin Bon

03/05/2008

ronaldinho vs travestis

Seguindo o joguinho “compare as imagens”, vamos agora ao assunto da moda: Ronaldinho e os travestis. Acompanhem abaixo a mesma história contada em duas versões: a primeira da Globo e a segunda da Record.

As duas matérias foram ao ar no 29 de abril, só que ao assisti-las dá uma estranha sensação de que falam de coisas diferentes.

Mas acreditem: as duas TVs estavam cobrindo o mesmo fato.

Na Globo:

Na Record:

Em tempo: a TIM já caiu fora e rompeu o contrato com Ronaldinho. Isso significa que nosso multimilionário jogador deixa de faturar US$ 4,8 milhões por ano. Não teria sido melhor pagar os 50 mil reais e deixar tudo por isso mesmo?

batman vs batman

Mas o nome desse post poderia ser Curinga vs Curinga. Porque é inegável que a estréia de "The Dark Knight", no meio do ano, vai ser marcada pela comparação entre o Curinga de Jack Nicholson (Batman, 1989) e o Curinga de Heath Ledger.

Abaixo, uma brincadeira divertida: alguém que não tinha mais o que fazer produziu um trailler com cenas do filme de Tim Burton (de 1989) exatamente igual ao trailler do novo Batman de Christopher Nolan. A comparação entre os Curingas é inevitável. Mas deixemos esse debate acalorado para depois da estréia, ok? Enjoy.



Batman Vs The dark Night