27/11/2008

plágio ou referência?

Fico sempre meio triste quando vejo um caso de suposto plágio na propaganda. Principalmente quando o caso ocorre no mercado em que trabalho. No caso abaixo, não foi bem em Natal. Mas pelo fato de ser tão próximo, e num mercado que tenta se afirmar criativamente, fiquei triste do mesmo jeito.

A agência mossoroense Mais Comunicação está sendo acusada de seguidos plágios num fórum de discussão do Orkut. A pendenga começou com um comercial pra loja Sob Medida, criado pela Mais, que é extremamente semelhante a um comercial da TIM veiculado no início do ano em todo o Brasil. E quando eu digo extremamente semelhante não estou usando uma figura de linguagem. Confira você mesmo:


Comercial da Sob Medida:


Comercial da TIM:


Segundo participantes deste fórum de discussão, a mesma agência de Mossoró é responsável por pérolas do plágio como as que seguem abaixo:

Original:
Supostas cópia:

Original:
Suposta cópia:
Na lista de discussão do Clube de Criação de Pernambuco, da qual faço parte, o publicitário Tomas Bueno deu uma resposta muito interessante à pergunta “Plágio ou referência?”: Eu acredito que referência é quando a publicidade se inspira na vida. Seja arte, cotidiano, qualquer coisa, menos a própria publicidade. Eu acredito em coincidência quando a idéia é a mesma, mas a produção é diferente. Eu acredito em coincidência ducaralho quando não quero acusar ninguém de plágio.

Eu fecho com você, Bueno.

26/11/2008

no torrent: fringe

J.J. Abrams já era milionário quando criou “Lost”. Seu primeiro grande sucesso foi a série de espionagem “Alias”, que já tinha lhe rendido fama e dinheiro. Com “Lost”, ele conseguiu reconhecimento artístico. Com “Fringe”, sua mais recente criação, J.J. Abrams quer dizer que é uma fonte inesgotável de histórias surpreendentes. Até onde assisti, ele está conseguindo.
“Fringe” começa de maneira propositadamente semelhante a “Lost”: dentro de um avião. Um homem, manipulando uma ampola, libera alguma misteriosa toxina no ar. O resultado é que as pessoas do vôo simplesmente desintegram! Ao longo do primeiro episódio, porém, dá pra perceber que este acidente foi apenas a ponta do iceberg.

Entra em cena a Agente Olivia Dunham, que requisita a ajuda de um gênio da ciência experimental para solucionar o caso. Esse gênio é o Dr. Walter Bishop, que está num manicômio e só pode sair de lá com a autorização do filho e tutor, o também gênio Peter Bishop. Os três (numa dinâmica que inclui tensão afetiva entre pai e filho, tensão sexual entre agente e tutor e tensão profissional entre agente e cientista) vão se reunir para investigar casos aparentemente inexplicáveis pela ciência tradicional, mas totalmente plausíveis na ciência de borda – ou fringe science, que nada mais é que as coisas teoricamente possíveis, mas nunca comprovadas na prática.
A grande trama da série é exatamente essa: um misterioso grupo, chamado de “O Padrão”, está colocando em prática algumas teorias nunca utilizadas da ciência. E o laboratório que eles estão usando é justamente o mundo. Nessa realidade em que todos são ratos brancos, a agente Dunham, o Dr. Bishop e seu filho Peter estão a voltas com coisas aparentemente inexplicáveis como uma bomba que transforma o oxigênio em resina (!), um recém nascido que morre de velhice sete minutos após nascer (!!) e um homem careca que está sempre presente a grandes eventos da história, do assassinato de JFK ao de Malcolm X (!!!). A comparação com Arquivo X é inevitável. E realmente é muito parecido. A diferença de outras imitações da série clássica, como a fraquinha “Eleventh hour” da Warner (criada por Jerry Bruckheimer, o mesmo da franquia CSI), é que “Fringe” é muito bem feita. Tudo apresentado na série é teoricamente possível - até agora - e isso valoriza o roteiro. Os mistérios vão crescendo gradativamente e aos poucos já se cria a mitologia Fringe.

(A série também é responsável por um novo modelo publicidade: a Fox americana, responsável pela série, cortou metade dos comerciais e adicionou merchandisings inteligentes agregados à trama. Dessa forma, mesmo que você baixe os episódios, estará exposto à propaganda. Segundo os produtores, esses merchandisings já pagam o filhote.)

“Fringe” tem estréia prevista no Brasil em fevereiro de 2009. O canal que transmitirá o novo hype de J.J. Abrams é o Warner Channel.

25/11/2008

ene: programação completa

A Prefeitura não colocou nenhum site oficial do Encontro Natalense de escritores no ar. Que pena! É impossível falar de literatura sem usar a internet. (Aliás, também não tem campanha publicitária do ENE no ar, apenas campanhas de prestação de contas da atual gestão, que se despede em 31 de dezembro).

Pra remediar esse deslize de Carlos Eduardo, publico abaixo a programação completa do ENE, conseguida a duras penas só porque Alex de Souza enviou a referida à lista de discussão do Jovens Escribas. A julgar pela quantidade de informação disponível sobre o evento, já imaginou que vai ser casa cheia, né?


Quinta-feira

16h – Tenda Literária – Do Conto à Poesia
Convidados: Chico Mattoso, Silvério Pessoa, Nicolas Behr e Napoleão Paiva (moderador)

17h30 – Tenda Literária – Trio: Machado de Assis e Seus Amigos
Convidados: Antônio Carlos Secchi e Murilo Mello Filho (entrevistador)

19h – Tenda Literária – Encontro Marcado, com Arnaldo Antunes

20h30 – Tenda Literária - Uma Biografia em Construção
Convidados: José Sarney e Diógenes da Cunha Lima (entrevistador)

22h10 – Show de Arnaldo Antunes


Sexta-Feira

16h – Tenda Literária – Palavra Escrita, Palavra Cantada
Convidados: Abel Silva, Alex Nascimento, Antônio Ronaldo e Eduardo Gosson (moderador)

17h30 – Tenda Literária – O Escritor Editor: Conversas Sobre o Jornalismo Literário Brasileiro
Convidados: João Gabriel de Lima, Homero Fonseca, Moacir Amâncio e Alex de Souza (moderador)

19h – Tenda Literária – O Nordeste na Literatura Brasileira
Convidados: Carlos Heitor Cony e Tarcísio Gurgel (entrevistador)

20h30 – Tenda Literária – Ficção e Realidade em Não Verás País Nenhum
Convidados: Washington Novaes e Inácio de Loylola Brandão

22h – Show Tributo a Cartola


Sábado

16h – Tenda Literária – Oswaldo Lamartine: Ofício e Estilo de um Registrador de Coisas
Convidados: Carlos Newton Jr, Antônio Naud Júnior e Woden Madruga (moderador)

17h30 – Tenda Literária – O Desenho Rítimico da Bossa Nova
Convidados: Zuza Homem de Mello, Roberto Menescal, Zé Dias e Carlos Piru

19h – Tenda Literária –Vinícius: Palavra e Música
Convidados: José Miguel Wisnik, Arthur Nestroviski e Paula Morelembaum

20h30 – Tenda Literária – Um Romancista Nato
Convidados: Cristóvão Tezza e Humberto Hermenegildo

22h30 – Show do Cordel do Fogo Encantado

Em cada dia haverá ainda o Espaço Livro e lançamentos literários diversos.

24/11/2008

do celular pra internet

Já pensou se fizessem um sistema de podcast muito, mas muito simples de postar? Do tipo: você liga prum número, grava uma mensagem e ela automaticamente é publicada na rede.

Já pensou se esse sistema fosse gratuito e o custo da ligação fosse o de uma chamada local, independente de onde você está?

Já pensou se esse serviço disponibilizasse um código embed pra você colar o seu player no blog, ou no Orkut, ou onde quer que você quisesse divulgá-lo?

Pois é, alguém pensou nisso tudo. E criou o Gengibre, um site de podcast realmente diferente.
O site abre possibilidades infinitas. Por exemplo: você está num show, consegue entrar no camarim e resolve entrevistar o cantor. É só ligar pro Gengibre e fazer a entrevista com o celular. Ela é postada imediatamente na sua página sem custo algum. Depois, em casa, de ressaca, é só espalhar o player por aí. É ou não é crasse A?

Quem andou experimentando o Gengibre foi Xico Sá, jornalista e escritor, do qual sou fã incondicional. Xico escreve no blog O Carapuceiro e é autor de livros como “Caballeros solitários rumo ao sol poente", o primeiro romance brasileiro escrito em portunhol. No seu momento Gengibre, ele leu um trecho de “Catecismo de Devoções, Intimidades e Pornografias”. Prepare os ouvidos.

22/11/2008

no torrent: zélia duncan

PRÉ PÓS TUDO BOSSA BAND

Até me surpreendi quando descobri no Google que “Pré pós tudo bossa band”, oitavo disco de Zélia Duncan, tinha sido lançado em 2005. Ou eu ando muito desatualizado em relação aos artistas que admiro, ou Zélia Duncan está trilhando uma carreira cada vez mais discreta em relação à mídia. A resposta é: 50/50. Tanto eu ando meio desligado, como Zélia Duncan fez a inteligente escolha de se distanciar um pouco dos holofotes.

Na primeira canção título, que abre o CD, ela já deixa bem clara essa estratégia. A música “Pré pós tudo bossa band” fala exatamente da era das celebridades, da necessidade de aparecer, de ser o melhor. Com uma elegante ironia, tanto na letra quanto na interpretação, a música diz: Todo mundo quer ser bacana / Álbuns, fotos, dicas pro fim de semana / Filmes, sebos, modas, cabelos / Cabeça-feita, receitas perfeitas / Descobertas geniais. Um bom começo. Em seguida vem “Carne e osso”, que foi tema de abertura da novela Sete Pecados. Nela, Zélia exalta o pecado como forma de ser mais humano. Com uma dose sensata de incorreção política, se tornou chatinha depois de seis meses no ar diariamente.

Mas depois desse momento rede Globo, o CD cresce. E muito.
“Vi não vivi” é uma canção de amor à primeira vista ás avessas. “Primeira vez que eu te vi / Meu coração não fez clique”, canta Zélia com originalidade. Em seguida, o blues “Mãos atadas”, em parceria com Frejat, faz lembrar aquela cantora de “Intimidade”. Suave, romântica e sem pieguices.

- Ouça "Vi não vivi":

O grande momento do disco continua com “Benditas”. A música fala da efemeridade do amor em relação ao famoso “Eu vou te amar pra sempre” que os amantes costumam se dizer. “A vida é curta / Mas enquanto dura / Posso durante um minuto ou mais / Te beijar pra sempre / O amor não mente / Não mente jamais”, canta ela.

Depois disso, um momento estranho. Diante de tanta poesia, “Braços cruzados” fala sobre violência urbana. Definitivamente, não encaixa no clima das primeiras músicas. E prejudica a audição de “Eu não sou eu”, balada romântica que soa mais melosa do que deveria.

Mas Itamar Assumpção , sempre ele!, salva a pele da cantora. Escrita com Alice Ruiz, “Tudo ou nada” tem a cara das músicas do autor. “Come on, baby / Transformar esse limão em limonada”, diz a letra, que é uma declaração de amor e de humor ao mesmo tempo, com uma bem-vinda pitada de rock’n’roll. Divertida e poética como só Assumpção sabe fazer.

A primeira metade do CD vale por todo ele. Por isso, pulo da música 8 direto pra 16 (o que fica nesse ínterim é a falta de surpresa, com sambas que soam antigos e até são bons, uma homenagem a Gilberto Freire numa vinheta dispensável, exaltações ao Rio, etc – tudo realmente acessório, muito embora bom de ouvir).

“Milágrimas”, essa sim, encerra em grande estilo “Pré pós tudo bossa band”.
Mais uma letra de Itamar Assumpção e Alice Ruiz, “Milágrimas” é cantada por Zélia Duncan e por Anelis Assumção, a filha do autor. Minimalista, sutil, tem cara de poema musicado. E que poema! Reproduzo aqui a primeira estrofe: “Em caso de dor, ponha gelo / Mude o corte do cabelo / Mude como modelo / Vá ao cinema, dê um sorriso / Ainda que amarelo / Esqueça seu cotovelo / Se amargo for já ter sido / Troque já este vestido / Troque o padrão do tecido / Saia do sério, deixe os critérios / Siga todos os sentidos / Faça fazer sentido / A cada milágrimas sai um milagre”. Essas frases cantadas com a dor de Zélia e a doçura de Anelis derretem qualquer coração duro.

“Pré pós tudo bossa band” não é memorável, mas é respeitável. Ao não cair na esparrela da mídia, que quase lhe transformou em deusa na época de “Catedral”, Zélia Duncan assumiu cada vez mais controle artístico sobre o seu trabalho. O Cd, portanto, tem a cara dela. Nessa época de fabricação de celebridades, é louvável.

- Ouça "Milágrimas":

20/11/2008

who's gonna save my soul?

Quem me conhece sabe que sou viciado em clipe. Não é em MTV, é em clipe. Vivo baixando, vendo no Youtube e até mesmo na Music Television (que aliás, pra mim, fica perfeita no Carnaval, com 24h de clipe sem parar). Só não entendi porque falo tão pouco deles no PLOG. Enfim, chegou a hora.

O clipe abaixo é do Gnarls Barkley, aquela banda que canta "Crazy". Achei tão arrebatador assisti-lo que fiz questão de compartilhar com vocês. O som até lembra Moby. Mas o que me fez vidrar nesse clipe foi mesmo o roteiro. Crasse AA. Saquem só.

18/11/2008

aquecimento global pela mtv

A campanha mundial Switch, da MTV, que pretende conscientizar a população sobre os perigos do aquecimento global, ganhou uma excelente peça criada pela Ogilvy de Amsterdã. Se servindo dos próprios canais fluviais da cidade, a agência espalhou bóias personalizadas por Amsterdã. O resultado: um ação de guerrilha realmente impactante. Saquem só:


Título: Aquecimento global. Por que se fala tanto disso?
Subtítulo: Descubra você mesmo no www.mtvswitch.org


Simples, direto, criativo e barato. Um dia eu chego lá. E aproveitando o ensejo, visitem a página da campanha para aprender mais sobre aquecimento global e suas conseqüência. O importante é que ainda podemos evitar muita coisa.

15/11/2008

no cine: [REC]

Assustador. O filme é realmente assustador. Estou falando de [REC], longa espanhol que estreou essa semana no Brasil. Quem procura sustos, tensão e medo, não vai se arrepender. Se você não acredita, veja abaixo a reação da platéia ao assistir o filme no Festival de Sitges, na França. Depois de ver, você continua lendo.





O filme usa de um artifício interessante para contar sua trama. Um programa de TV está cobrindo a noite em um quartel de bombeiros. A intenção do programa é mostrar tudo (como comem, como dormem, até mesmo uma eventual chamada). O que o espectador assiste é justamente a fita dessa gravação. Ou seja, vemos a repórter Angela olhando pra câmera, fazendo passagens, narrando o fato.

O terror começa quando moradores de um prédio chamam os bombeiros para socorrer uma vizinha que está gritando em seu apartamento. Os bombeiros chegam, vêem a mulher totalmente fora de controle e em pouco tempo a vigilância sanitária isola o prédio e proíbe a saída de todos. Existe um mal muito mais letal ali do que uma simples senhora passando mal. E a cada susto, vamos acompanhando a história através da câmera de Pablo, o cinegrafista do programa. O recurso usado no filme torna tudo muito mais aterrorizante. Logo de início você percebe uma atuação tão natural que chega a lembrar um desses filmes caseiros. Quando o horror começa, é impossível lembrar que é apenas um filme. Parece um documentário mesmo. Veja só o trailer:



Já havia visto esse recurso ser aplicado num antigo episódio do Arquivo X, em que Fox Mulder e Dana Scully acabam investigando um caso acompanhados pelas câmeras do programa COPS (famoso seriado americano em que jornalistas acompanham equipes da polícia sem desligar a câmera um só minuto). Em [REC] esse recurso torna tudo mais aterrador: a câmera sofre avarias, o áudio oscila, ela é desligada para economizar bateria. E a cada dano sofrido pela câmera, a imagem fica pior e o terror aumenta.

[REC] é uma boa lição para Hollywood. Prova que um bom roteiro supera qualquer dificuldade (de mercado, de orçamento, de distribuição). Afinal, quer seja de terror, quer seja de ação, quer seja de drama, o bom cinema sempre é construído em cima da mesma coisa: grandes idéias.


FICHA TÉCNICA
Título: [REC]
Ano/país: Espanha/2007
Direção: Jaume Balagueró

Roteiro: Jaume Balagueró,Luiso Berdejo,Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pablo Rosso, Martha Carbonell, Vicente Gil Cotação: 9,0

13/11/2008

mcm >>> #8

A pergunta que não quer calar: por que a Prefeitura de Natal nunca fez um comercial desse nível pra vender nossa cidade? Afinal, ela também é maravilhosa, né?

O comercial abaixo não é da Prefeitura do Rio, é do Shopping Rio Sul (o que me faz perguntar: por que nenhuma shopping de Natal fez uma propaganda dessas?). Segue o esquema de texto criativo + imagens magníficas. Esquema que, geralmente, gera comerciais sensacionais. Sem mais delongas, assista e babe.