O filme usa de um artifício interessante para contar sua trama. Um programa de TV está cobrindo a noite em um quartel de bombeiros. A intenção do programa é mostrar tudo (como comem, como dormem, até mesmo uma eventual chamada). O que o espectador assiste é justamente a fita dessa gravação. Ou seja, vemos a repórter Angela olhando pra câmera, fazendo passagens, narrando o fato.
O terror começa quando moradores de um prédio chamam os bombeiros para socorrer uma vizinha que está gritando em seu apartamento. Os bombeiros chegam, vêem a mulher totalmente fora de controle e em pouco tempo a vigilância sanitária isola o prédio e proíbe a saída de todos. Existe um mal muito mais letal ali do que uma simples senhora passando mal. E a cada susto, vamos acompanhando a história através da câmera de Pablo, o cinegrafista do programa. O recurso usado no filme torna tudo muito mais aterrorizante. Logo de início você percebe uma atuação tão natural que chega a lembrar um desses filmes caseiros. Quando o horror começa, é impossível lembrar que é apenas um filme. Parece um documentário mesmo. Veja só o trailer:
Já havia visto esse recurso ser aplicado num antigo episódio do Arquivo X, em que Fox Mulder e Dana Scully acabam investigando um caso acompanhados pelas câmeras do programa COPS (famoso seriado americano em que jornalistas acompanham equipes da polícia sem desligar a câmera um só minuto). Em [REC] esse recurso torna tudo mais aterrador: a câmera sofre avarias, o áudio oscila, ela é desligada para economizar bateria. E a cada dano sofrido pela câmera, a imagem fica pior e o terror aumenta.
[REC] é uma boa lição para Hollywood. Prova que um bom roteiro supera qualquer dificuldade (de mercado, de orçamento, de distribuição). Afinal, quer seja de terror, quer seja de ação, quer seja de drama, o bom cinema sempre é construído em cima da mesma coisa: grandes idéias.

FICHA TÉCNICA
Título: [REC]
Ano/país: Espanha/2007
Direção: Jaume Balagueró
Roteiro: Jaume Balagueró,Luiso Berdejo,Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pablo Rosso, Martha Carbonell, Vicente Gil Cotação: 9,0
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